Um novo modelo de fornecedor – Parte 1

Neste artigo de opinião, David Birnbaum, autor do “The Birnbaum Report”, uma newsletter mensal destinada aos profissionais da indústria de vestuário, parte de dois pressupostos sobre os fornecedores do futuro: (i) as fábricas não vão estar localizadas num local específico; e (ii) no novo modelo industrial, cliente e fornecedor fundem-se numa única entidade. Com base nestes pressupostos, Birnbaum analisa o papel desempenhado pela unidade de produção e o seu desenvolvimento futuro. Uma fábrica era tradicionalmente definida como uma grande máquina construída para produzir alguma coisa. A construção da fábrica começava tradicionalmente com uma única e aparentemente simples pergunta: o que deseja produzir? A partir do momento em que se sabia o que se queria fazer, tudo entrava no lugar. Por exemplo, o sucesso era medido pela forma como – em termos de eficiência e custos – a fábrica produzia algo. O único desafio passava por definir o que era esse “algo”. Não era suficiente decidir: “quero produzir camisas para homem”. Uma fábrica que produz camisas finas em algodão não vai conseguir fornecer, com êxito, camisas desportivas para a Wal-Mart. A estrutura da fábrica é diferente, as máquinas são diferentes e também os trabalhadores são diferentes. A melhor maneira de responder a este desafio foi perguntar primeiro ao cliente o que ele precisava e, em seguida, construir a fábrica para responder a essas necessidades. Durante muitos anos, a maioria dos clientes dava as mesmas respostas: “quero uma fábrica que irá produzir x número de unidades por estilo, na qualidade y, em z período de tempo e ao preço médio de w FOB”. Em suma, a fábrica estava orientada para o produto. Esta fábrica tradicional era uma operação relativamente simples. Estava localizada num local (ou locais) determinado – talvez a 10.000 quilómetros de distância do cliente – com escritórios e máquinas, tendo sido definida pelo próprio processo de produção: corte, costura, acabamento e embalagem. No entanto, o modelo de fábrica tradicional acabou por se tornar obsoleto. Este modelo era fundamentalmente imperfeito e a recessão simplesmente expôs as falhas do paradigma da fábrica como um fabricante de produtos. O novo paradigma de fornecedor baseia-se em dois objectivos: (i) assumir a maior parte das operações de produção anteriormente realizadas pelo cliente e, portanto, reduzir os custos directos; e (ii) velocidade para o mercado, não apenas através da redução dos prazos do processo de produção, mas também na fase de pré-produção e pós-produção. Em determinado sentido, ambos resumem-se a uma única palavra: serviço, porque a verdadeira velocidade para o mercado é o resultado de toda uma gama de serviços. A passagem do produto para o serviço dita onde o fornecedor está localizado. Enquanto a fábrica existia apenas para fazer um produto, toda a comunicação eram instruções unidireccionais, do cliente para a fábrica: -Este é o produto que quero e como eu quero que seja feito: desenho técnico e fichas técnicas. -Estas são as dimensões: folha de especificações. -Esta é a forma como vou garantir que fazem o que eu quero: gabinete de compras. As instruções unidireccionais funcionavam, independentemente da localização da fábrica. Tudo o que importava era a velocidade com que chegavam as instruções do cliente. Na segunda parte deste artigo, o autor do “The Birnbaum Report” continua a analisar os pressupostos que estão na base do novo modelo de fornecedor de vestuário.