Um nicho de Primeira

Excluindo a China, o mercado global para a produção de relva não-natural ascendia, em 2004, a 41,6 milhões de metros. Neste total, as superfícies desportivas representavam cerca de 70% das aplicações, correspondendo os restantes 30% à jardinagem e decoração. Entretanto, a produção de relva não-natural na Europa Ocidental, usada sobretudo em superfícies desportivas, está a crescer a uma taxa de 15 a 20% por ano. As principais fibras utilizadas nos relvados sintéticos são as poliolefinas – polietileno (PE) e polipropileno (PP) –, embora a poliamida possa também ser aplicada. No entanto, o domínio nos recintos desportivos recai sobre o PE. Desenvolvida nos anos 60 e 70 para desportos como o futebol americano, hóquei, ténis e basebol, a primeira relva sintética foi inicialmente fabricada a partir de PE ou de PP com uma altura de somente 10 a 12 mm e sem material de preenchimento entre as fibras – infill. A segunda geração de relva sintética nas décadas de 80 e 90 viu a lista de desportos alagar-se com a inclusão do futebol de 5, usando fios de PP/PA para produzir uma fibra com altura de 20 a 35 mm e a adição de um infill de areia. A última geração de relva sintética, desenvolvida no final dos anos 90, engloba: – base de suporte na qual o fio é cosido e depois fixado com látex; – infill – feito de areia para melhorar a estabilidade e de borracha para melhorar a elasticidade; – fio fibrilado/torcido – superfície de jogo. A mais recente variedade usa fios de PE/PA com uma fibra de altura entre 50 e 70 mm. O futebol de 11 é hoje jogado regularmente neste tipo de superfície. Os produtores líderes europeus de relvado sintético inclui italianos (Limonta, Italgreen e Rossiflor), holandeses (Desso e Edel), belgas (Domo), franceses (Tarket SS), alemães (Polytan e TexGrass), ingleses (Tiger, Nordon e Palmyra) e espanhóis (Mondo). A maior parte dos fabricantes são licenciados da FIFA, a qual desenvolveu um conceito de qualidade para: – normalizar a qualidade das superfícies de futebol sintéticas a nível mundial; – garantir a segurança dos jogadores; – promover o desenvolvimento contínuo e inovador entre os fabricantes de relva sintética. As normas da FIFA incluem: – testes de interacção entre o jogador e a superfície, tais como absorção de choques, resistência rotacional, abrasão da pele, fricção pele-superfície e fricção linear; – testes entre a bola e a superfície, tais como o deslizamento e o ressalto angular e vertical da bola. São também realizados testes laboratoriais (toxicológicos, ambientais, etc.) nos materiais usados no relvado sintético. As normas de qualidade exigidas para passar estes testes com distinção têm como base os resultados obtidos na realização dos mesmos, com idêntico equipamento, numa superfície desportiva natural. Fios Redigreen Com uma quota de mercado estimada em 20%, a Tecelagem Pietro Radici de Bergamo é a produtora líder em Itália de fios para superfícies de relvado sintéticas e o nº 2 europeu, a seguir à holandesa Royal Ten Cate. A empresa foi criada em 1941 e faz actualmente parte da Divisão Têxteis do grupo Radici. Com 145 trabalhadores e um volume de negócios de 32 milhões de euros em 2004, a empresa produz fios para relva sintética assim como não-tecidos spunbonded. Redigreen é a marca comercial dos seus fios de mistura PE/PP utilizados na relva sintética, em aplicações exteriores e interiores. Segundo o seu fabricante, estes fios possuem uma elevada resistência à radiação ultravioleta e à abrasão, podem ser tingidos em diferentes tonalidades, são inteiramente não-tóxicos, recicláveis e garantem uma excelente performance desportiva. O director geral Enrico Buriani afirma que os custos típicos do tecido tuftado numa superfície de relva sintética cifram-se entre 10 e 12 euros por metro quadrado. Nas principais ligas italianas de futebol profissional, um relvado de futebol deve ter pelo menos 105 metros de comprimento e, no mínimo, 68 metros de largura e requer cerca de 10 toneladas de fio. Segundo Buriani, os custos totais de manutenção das superfícies desportivas sintéticas são bastante inferiores aos das naturais, Dependendo do desgaste, da abrasão e da exposição aos raios UV, esse tipo de terreno deverá ter uma duração mínima de 5 a 7 anos. Experiências holandesas A indústria têxtil europeia e várias associações de futebol investiram esforços consideráveis para desenvolver e certificar relvados sintéticos para jogos de competição. Um número crescente de associações nacionais aceita hoje o uso deste tipo de relvado nas suas ligas principais. Por exemplo, a seguir à sua promoção à primeira liga do futebol holandês, a Heracles Almelo instalou um relvado sintético com base na nova fibra Thiolon Xtreme e na tecnologiaThiolon Grass da Royal Ten Cate. A Heracles começou a jogar os seus jogos de competição na relva sintética integrada num programa piloto da UEFA, que foi levado a cabo durante duas estações em vários clubes europeus. Segundo a Ten Cate, os últimos desenvolvimentos estiveram focalizados na melhoria do deslizamento propício quer das fibras de relva quer do material de preenchimento entre fibras. O relvado da Heracles é análogo ao da Arena de Amesterdão, usado pelo AFC Ajax para treino. E o KNVB terá também um terreno similar para fins idênticos. Estes 3 relvados servirão como benchmarks para os testes dos jogadores da Primeira Liga holandesa. Relvado italiano rejeitado No entanto, a FIFA rejeitou uma superfície sintética de futebol em Bergamo, terra das equipas da série B Atalanta e Albino-Leffe. A superfície do Stadio Atleti Azzuri, uma mistura de relva natural e sintética desenvolvida pela italiana Biffi, não satisfez as especificações estabelecidas, como explicou a equipa de inspecção de peritos da FIFA e da UEFA. O argumento económico A decisão do Atalanta em instalar um relvado sintético foi influenciada pela investigação conduzida por Sílvia Manzoni, da Faculdade de Economia de Universidade de Bergamo, que avaliou os custos instalação e manutenção, assim como o potencial uso e futuro rendimento da relva natural em comparação com a alternativa sintética. Manzoni concluiu que a relva sintética podia ser utilizada mesmo depois de pesados chuveiros e não necessitava de repouso após utilização com vista à sua devida recuperação. Além disso, podia ser usada para eventos não desportivos, como concertos musicais, e outras actividades geradoras de rendimentos que exigem grandes espaços. A investigadora italiana revelou que os custos iniciais de um relvado sintético são elevados, no caso do futebol cifram-se em cerca de 300.000 euros. No entanto, isto inclui um contrato de manutenção de 3 anos e, ao contrário das superfícies naturais, não exige um sistema de irrigação. Além do mais, um relvado artificial pode ser usado durante o dobro do tempo de um relvado natural. «Ao longo dos 3 anos após a instalação e, por consequência, depois desse período de tempo, o investimento mais rentável é o relvado sintético» foi a conclusão do estudo conduzido por Sílvia Manzoni.