Um Mundo de Feiras

«Neste trabalho, tenho a sorte de lidar com o melhor da nossa economia, e em especial com empresas que sabem posicionar-se no mercado global, que reconhecem que para vingar é necessário estar no terreno, que apostam em marcas, que cuidam da imagem, que encontram em si próprias o que têm de melhor e transformam essas qualidades em vantagens competitivas». Foi assim que a directora da Messe Frankfurt em Portugal, Cristina da Motta, iniciou a recente conferência realizada pela mesma no nosso país, num encontro privilegiado na capital lisboeta que reuniu imprensa, empresas e instituições nacionais e que permitiu desvendar alguns segredos deste colosso na organização de feiras internacionais, entre as quais as sobejamente conhecidas Heimtextil (têxteis-lar), Techtextil (têxteis técnicos) e Interstoff (tecidos).

Em seguida, tomou a palavra Detlef Braun, administrador da Messe Frankfurt, que não deixou de sublinhar a crescente presença portuguesa, quer em visitantes, quer em expositores nas feiras da Messe, espalhadas pelo mundo fora. «Em 2004, participaram nos nossos certames 4.893 visitantes e 254 expositores portugueses. Trata-se do nível mais elevado nos últimos dez anos. Em particular, tivemos stands conjuntos portugueses na Intertextile de Xangai, na Interstoff Rossija e na Techtextil em Frankfurt, que receberam o apoio do ICEP e foram organizados pela Associação Selectiva Moda», declarou o administrador da Messe Frankfurt. «Aumentar a competitividade a nível internacional através de uma produtividade reforçada no seio das empresas faz parte do programa do vosso governo e das associações económicas do vosso país. O melhor exemplo disso é o incentivo à exportação por parte do ICEP. Especialmente numa época de crescente globalização dos mercados, é essencial para as pequenas e médias empresas estarem presentes onde estão as oportunidades».

A última intervenção esteve precisamente a cargo do presidente do ICEP. Marques da Cruz reafirmou a vontade do ICEP em reforçar as exportações e apoiar a internacionalização, considerando todavia «que as ideias têm que partir não do ICEP mas sim das próprias associações em acção concertada com a indústria».

As relações económicas e políticas entre Portugal e a Alemanha são tradicionalmente muito estreitas. Desde há anos, que a Alemanha é um dos parceiros comerciais mais importantes de Portugal. Em 2004, o valor das exportações portuguesas para a Alemanha atingiu os 3.620 milhões de euros (13,6 por cento das exportações totais). Da Alemanha foram importadas mercadorias no valor de 5.830 milhões de euros (14,4 por cento das exportações totais). Os investimentos das empresas alemãs desempenham para as empresas portuguesas um papel importante e consequentemente também para a economia do país, não só em ramos económicos tradicionais como a produção de têxteis e de calçado mas também em sectores como o fabrico de produtos de alto valor tecnológico, a investigação e o desenvolvimento. 

Frankfurt é uma das mais antigas cidades com feiras do mundo. Desde que em 1240 o kaiser Frederico concedeu o privilégio às feiras de Frankenfurth, cidade livre do Império, a Feira de Frankfurt desenvolveu-se ao longo dos séculos para se tornar numa empresa activa no mundo inteiro: encontram-se eventos “made by Messe Frankfurt“ em todo o globo terrestre. O recinto da Feira de Frankfurt propriamente dito é, a seguir a Milão e a Hannover, o terceiro maior recinto do mundo, encontrando-se no coração da Europa e no centro da Alemanha. 

 

Em 2004, a Messe Frankfurt realizou 109 feiras e exposições, 237 congressos, reuniões e eventos com mais de 57.700 expositores e pouco mais de 2,9 milhões de visitantes (2003: 112 feiras, 195 congressos, reuniões e eventos com mais de 58.500 expositores e cerca de 3,9 milhões de visitantes). «O actual ano económico está também a decorrer de forma positiva. Temos mais visitantes alemães e algumas taxas de crescimento a dois dígitos tanto a nível dos expositores como dos visitantes», afirmou Detlef Braun. «As nossas feiras têxteis, a Techtextil e Avantex, por exemplo, estão a dar-nos grande satisfação. Criámos 14 novas feiras no estrangeiro, entre as quais duas no difícil mercado norte-americano ampliando assim a nossa acção no estrangeiro. O mercado americano vai ser um mercado muito interessante exactamente para os expositores portugueses».

Enquanto player global, a Messe Frankfurt promove, desde meados dos anos 80, feiras em mercados internacionais de forte crescimento como, por exemplo, a China e a Rússia. Elevado know-how, uma vasta rede internacional com 14 filiais, 5 sucursais e 49 representantes no estrangeiro, a responsabilidade de 151 países assim como nomes importantes a nível de eventos constituem os atributos que lhe conferem uma internacionalização de sucesso, que constitui hoje uma pedra angular da estratégia empresarial. Tal como bem explicou Detlef Braun, a ideia da Messe não é só de manter uma posição de liderança através de feiras de orientação em Frankfurt «mas de exportar esses temas de feira para atingir também mercados noutros Continentes. Graças ao nosso elevado nível de internacionalização, somos menos dependentes de conjunturas e mais resistentes a crises. Uma internacionalização que significa ao mesmo tempo: exportamos as nossas marcas, isto é, organizamos feiras no estrangeiro, e geramos crescimento.

Hoje em dia, a Messe Frankfurt organiza mais feiras no estrangeiro do que na própria Alemanha – 59 das 109 feiras realizadas têm lugar fora da Alemanha. Isto reflecte-se naturalmente no seu volume de negócios. Em 2004, a organização aumentou a facturação no estrangeiro em 31% em relação ao ano anterior, atingindo os 73,7 milhões de euros, que representa 20 % do volume de negócios global (364 milhões de euros).

Mas a Messe Frankfurt quer continuar a crescer. «No ano passado completámos com êxito uma nova estrutura de grupo para dar apoio à nossa estratégia de crescimento. Com a repartição em sociedade de operacional e sociedade patrimonial sob um mesmo chapéu (holding), a Messe estruturou-se claramente de acordo com as diversas competências fundamentais do negócio das feiras. A nova estrutura de grupo económico permite uma melhor concentração nas diversas exigências dos clientes. Fomenta o comércio empresarial através de uma maior transparência dos custos e de uma responsabilidade pelos resultados mais clara», revela o administrador da Messe Frankfurt. «Não menos importante, alargamos o campo de acção estratégico das empresas tendo em consideração as possíveis parcerias».

Para além do desenvolvimento de novos produtos de feira e do controlo permanente das feiras existentes, o grupo pretende continuar a desenvolver-se e a adaptar-se às novas tendências do sector, reforçando nomeadamente a sua estratégia de internacionalização. Detlef Braun assegura que a Messe vai «continuar a apostar no crescimento no estrangeiro, especialmente na Ásia, região mais dinâmica do mundo em termos económicos».