Um adeus repleto de sofisticação

Terminou a maratona de seis dias dedicados à moda e às novas tendências para a estação Outono-Inverno 2010/2011, em Madrid, onde se destacaram propostas sofisticadas, muito requinte e uma alusão forte ao preto, pelas mãos de cinquenta estilistas distintos. Entre os destaques encontram-se nomes como o de Fiz, aquele que é considerado um dos “enfants terribles” do design espanhol e que voltou à Passerelle Cibeles, após anos de ausência, com uma colecção neo-victoriana adaptada ao século XXI, onde predominou o preto e os detalhes em dourado. Roberto Verino, que celebrou 25 anos de profissão, apresentou igualmente uma colecção em tons de preto, prateado, peles e castanhos discretos, em peças pensadas para mulheres decididas que se sentem bem com os seus corpos. «Apostei em cortes rectos, simples, sem grande recurso a sobreposição de materiais ou brilhos. Tecidos que jogam com a luz natural, peças que realçam a beleza natural da mulher, dando-lhe a elegância clássica. As peles estiveram presentes, sem exageros», salientou o criador. Já Teresa Helbig – uma estilista que conta com um trajecto de sucesso, com mais de dez anos, no mundo da moda – apostou em vestidos de festa em tule e seda, naquela que foi considerada como a colecção mais romântica do evento. O pianista e compositor Michael Nyman, que se deslocou a Madrid para dar um concerto, foi o artista convidado no desfile de Adolfo Domínguez, que apresentou uma colecção bem estruturada, de casacos de manga curta e sem corte definido, mas complementados por cintos que salientavam as formas do corpo, saias e vestidos curtos, ora justos ora largos. «Michael Nyman trouxe magia ao desfile de moda, complementando a beleza das peças com belas melodias», comentou a marca, em comunicado. Uma vez mais, o volume, a mistura de estruturas e a fantasia aliaram-se no trabalho da dupla Victorio & Lucchino. Por outro lado, El Delgado Buil apresentou a sua ideia “folk” vanguardista com um estilo “Upper Side”, que deu às peças um certo “luxo confortável”. Como já é tradição em Madrid, as peles voltaram à passerelle em propostas desiguais. A fechar o certame estiveram os criadores Jesus Lorenzo e Miguel Marinero que apostaram igualmente no requinte dos casacos de pele, num desfile marcado, contudo, pela polémica. Isto porque, aquando do desfile, dois jovens subiram à passerelle com cartazes com frases de revolta contra o uso de peles como “Pele é assassinato” e pedindo “Igualdade Animal”. Um incidente que marcou o desfile mas que, no entanto, não estragou o brilho de um evento com cada vez maior notoriedade.