UE pondera taxas anti-dumping ao calçado chinês – Parte 2

Conforme foi referido na primeira parte (ver UE pondera taxas anti-dumping ao calçado chinês – Parte 1), as taxas anti-dumping vigentes sobre o calçado de couro proveniente da China vão provavelmente ser prorrogadas, levando a reacções adversas por parte dos exportadores chineses, que já registaram uma quebra de 20% (40 milhões de pares) nas suas exportações com destino ao mercado europeu. Enfoque no mercado interno Os direitos anti-dumping da UE estão a acelerar uma mudança na indústria de calçado da China, forçando-a a virar-se para o mercado interno. Alguns acreditam que há espaço de sobra para os produtores venderem localmente em vez de exportarem. «A China representa metade das nossas vendas», revela Marcelo Marder, director de vendas numa fábrica de curtumes da Ecco, em Xiamen. A empresa começou a produzir na China em Maio deste ano e está a registar uma forte procura de couro de alta qualidade por parte de marcas locais que visam o mercado doméstico. «é o melhor mercado que temos actualmente. é o único capaz de pagar os nossos preços», acrescenta o responsável. Segundo o Euromonitor, as vendas a retalho de calçado cresceram a uma taxa anual de 8,5% entre 2003 e 2008. Marcas chinesas como Belle e Stella estão a registar um forte crescimento nas vendas no seu mercado de origem, com a Stella a anunciar recentemente um aumento de vendas de 28% nos primeiros nove meses do ano. Segundo Renee Tai, analista da CIMB-GK Securities em Hong Kong, os fabricantes subcontratados têm vindo a deslocar a sua atenção para o calçado de marca há algum tempo, numa tentativa de alcançar margens superiores, que podem variar entre os 14 e os 30%. Fortes vendas na China As marcas estrangeiras também estão a registar fortes vendas na China, um outro incentivo para manter as redes de abastecimento locais. A Adidas aprovisionou 44% de todos os seus sapatos na China em 2008, tornando o país a mais importante origem de aprovisionamento da empresa, à frente da Indonésia e do Vietname. Todavia, Tai adverte que o sucesso no mercado interno depende, em grande parte, dos recursos de uma empresa para financiar a distribuição e comercialização, acrescentando que o cenário competitivo será intensificado. «Aqueles que chegarem mais cedo vão ter uma vantagem», defende o responsável. «Os produtores sem suporte financeiro para criar uma marca no mercado interno terão de construir a sua oferta de produtos e redes de vendas», acredita Chen, presidente da associação de calçado. Actualmente muitas empresas estão a aprovar «encomendas de baixo preço que outrora não teriam sido aceites. Para concretizar esta mudança, terá de haver um maior investimento em I&D e em vendas, tanto no exterior como no mercado interno», conclui Chen.