UE instada a penalizar ultra fast fashion

A Áustria, a Finlândia, a França e os Países Baixos estão a apelar a que a União Europeia permita que os Estados-Membros penalizem retalhistas como a Shein e a Temu pelo impacto dos seus produtos.

[©European Union]

Os quatro países escreveram um documento de discussão antes da cimeira de 17 de junho, quando os ministros do ambiente deverão adotar a sua posição sobre uma próxima revisão da Diretiva-Quadro de Resíduos da UE.

No documento, argumentam que os Estados-Membros deveriam poder impor às empresas de ultra fast fashion uma contribuição maior para os custos de tratamento dos resíduos têxteis através do regime de Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP), que fará parte da diretiva.

«Entre 2000 e 2015, o número de novos artigos colocados no mercado mundial duplicou todos os anos, passando de 50 mil milhões para 100 mil milhões e multiplicando por dois o impacto do carbono da indústria têxtil», escrevem.

«Estes impactos ambientais são agravados pelo fenómeno da moda ultrarrápida, que se caracteriza pela comercialização de um grande número de produtos de baixo preço, provenientes de coleções que são renovadas com muita frequência. Estas práticas comerciais incentivam os consumidores a consumir por impulso e em maiores quantidades. Embora a quantidade de têxteis consumidos per capita na Europa tenha aumentado dramaticamente nos últimos anos, a utilização média de uma peça de vestuário diminuiu. Alguns estudos estimam mesmo que alguns consumidores deitam fora as peças de vestuário baratas depois de sete ou oito utilizações», apontam.

Os quatro países consideram que a UE deveria utilizar a revisão da Diretiva-Quadro de Resíduos, juntamente com outras propostas de legislação, nomeadamente a proposta de Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis ​​(ESPR), para «combater a prática comercial da moda ultrarrápida».

Afirmam ainda que os ajustamentos às taxas que os produtores de produtos têxteis teriam de pagar ao abrigo das propostas europeias do RAP deveriam ter em conta o número de produtos e coleções colocados no mercado.

«Há simplesmente muita coisa no mercado que sai de moda demasiado rapidamente. A defesa do princípio estabelecido do poluidor-pagador é fundamental para virar a maré dos resíduos têxteis», sublinha Theresa Mörsen, responsável pela política de resíduos e recursos da organização não-governamental Zero Waste Europe. «A sociedade civil apela a todos os Estados-Membros para que apoiem a medida e exijam que as Organizações de Responsabilidade dos Produtores utilizem a modulação das taxas do RAP com base na durabilidade dos produtos, incluindo o número de têxteis colocados no mercado e a frequência de renovação das coleções. Vamos combater a crise dos resíduos têxteis de frente», acrescenta.

No início deste ano, uma proposta de lei em França, que impõe uma taxa de até 10 euros por peça de vestuário às empresas de fast fashion, foi aprovada pela Assembleia Nacional do país, estando atualmente a aguardar discussão e aprovação no Senado para se tornar lei.