Turquia aponta à UE para duplicar exportações

Com mais de 60% das exportações de vestuário já direcionadas para a Europa, a indústria turca quer reforçar o seu foco no Velho Continente e nos EUA para aumentar os envios para 40 mil milhões de dólares.

Mustafa Gültepe e Dirk Vantyghem [©IHKIB]

Numa cimeira dedicada à transformação sustentável que juntou produtores de vestuário e marcas mundiais, Mustafa Gültepe, presidente da Associação de Exportadores de Vestuário de Istambul (IHKIB) e da Assembleia de Exportadores da Turquia (TIM), sublinhou que a Turquia é um dos mais importantes produtores de vestuário do mundo, representando cerca de 3,5% das exportações mundiais deste tipo de produto.

«Na IHKIB queremos aumentar as nossas exportações anuais, que rondam os 20 mil milhões de dólares (cerca de 18,46 mil milhões de euros), para 40 mil milhões de dólares. O percurso para esse objetivo passa pela Europa e pela América porque a União Europeia é o nosso maior mercado no vestuário. 60% das nossas exportações de vestuário para países da UE. Quando acrescentamos outros países europeus e os EUA, a quota aproxima-se de 75%», sublinhou no seu discurso o presidente da IHKIB e da TIM.

Embora sem descurar a diversificação e a procura de outros mercados, Mustafa Gültepe acredita que a meta traçada só será possível com um maior foco nos mercados europeu e americano. «Temos já colaborações duradouras com marcas sediadas na Europa e nos EUA. Com o nosso conhecimento, rapidez, qualidade de produção, capacidade de design e proximidade geográfica à Europa, distinguimo-nos da concorrência», apontou.

Mustafa Gültepe [©IHKIB]
Na cimeira, que decorreu ontem e contou com diversas intervenções, incluindo do diretor-geral da Euratex, Dirk Vantyghem, o presidente da IHKIB e da TIM sublinhou que «demos um passo muito importante no processo de transformação exatamente há um ano. Partilhamos com o público o nosso plano de ação, que é um roadmap para o cumprimento da nossa indústria da moda com o Green Deal, a 30 de janeiro de 2023», tendo já sido feitos avanços em 13 das 40 ações previstas no plano.

Dando conta de que «a Turquia é um dos dois países com uma cadeia de aprovisionamento completa, da fibra ao produto final», Mustafa Gültepe reconheceu que «temos de acrescentar a sustentabilidade às nossas vantagens atuais. Acreditamos que podemos transformar o processo de transformação sustentável numa oportunidade com a “abordagem de cadeia de parceiros”. Queremos ser uma parte indispensável dessa parceria, em vez de apenas um elo na cadeia de aprovisionamento. É aqui que critérios de cumprimento, competitividade e sustentabilidade vêm ao de cima. Temos de cumprir em termos ambientais, sociais e de gestão, competitivos em termos de preço e completos ao nível da sustentabilidade».

No entanto, ressalvou o presidente da IHKIB e da TIM, «claro que a qualidade tem um valor e esse valor tem um custo. Por isso, as marcas mundiais que trabalham connosco há anos não devem olhar para isto de uma perspetiva focada no preço. Tal como na produção, devemos ser capazes de ter colaborações com uma base sustentada».