Em acentuado contraste com a quebra de exportações registada ao longo do primeiro semestre de 2006, a indústria têxtil e de vestuário da Tunísia tem beneficiado ao longo de 2007 do aumento das exportações, de novos e significativos investimentos estrangeiros e de projectos no sector público.A atmosfera que se sentiu entre os produtores de vestuário tunisinos e os responsáveis governamentais na feira comercial Texmed 2007, que decorreu em Julho último, foi consideravelmente diferente da registada em 2006. Em apenas 12 meses, um sólido optimismo substituiu a profunda preocupação que reinava durante o primeiro semestre de 2006. Para além do crescimento das exportações, dos significativos novos investimentos estrangeiros no sector e de importantes projectos públicos para infra-estruturas têxteis, diversos expositores na Texmed 2007 confirmaram que alguns dos seus clientes estão a deslocar para a Tunísia as encomendas da China e de novos Estados-membros da União Europeia, como a Roménia e a Bulgária.No ano passado, o governo tunisino e organizações como a Cepex (promotora das exportações), Fipa (promotora do investimento estrangeiro) e Cettex (centro tecnológico têxtil) tiveram sérias razões de preocupação sobre o futuro do sector de vestuário na Tunísia. O sector, que é de longe a principal fonte de postos de trabalho do país (representa mais de 200.000 postos de trabalho), assim como principal exportador, com 2,64 mil milhões de euros em 2006, registou uma quebra gradual em 2005 e durante os primeiros meses de 2006.De principal preocupação foi o facto das exportações dos principais produtos de vestuário da Tunísia diminuírem durante os primeiros quatro meses de 2006 (as calças de ganga diminuíram 19,5 por cento em termos de valor, o vestuário de trabalho diminuiu 17,8 por cento e a roupa interior diminuiu 1,7 por cento) e que o total das exportações de vestuário para os principais mercados como França (quebra de 4,7 por cento) e Alemanha (quebra de 16 por cento) registaram uma evolução negativa.O coro de pessimistas, que em 2004 previa que o fim das quotas alfandegárias entre os membros da Organização Mundial de Comércio (OMC) seria o princípio do fim da posição da Tunísia e da maior parte dos países na zona Euromed como fornecedores privilegiados para a UE, aparentava estar certo.Exportações em altaNo entanto, no que diz respeito à Tunísia, as estatísticas recentes demonstram claramente que o fim não está próximo. As exportações tunisinas de têxteis e de vestuário dos cinco primeiros meses de 2007 aumentaram 19,5 por cento em valor, relativamente a igual período de 2006.Com a excepção da roupa íntima (crescimento de 8,3 por cento), o recente desempenho das exportações dos principais produtos da Tunísia tem registado uma evolução de dois dígitos ao longo dos primeiros cinco meses do ano: 18,8 por cento nas calças de ganga, 16,9 por cento no vestuário de trabalho, 22 por cento nas camisas e 20,5 por cento nos pullovers.Diversos grupos estrangeiros (Brunardi, Damartex e Aubade), que em 2005 deslocaram uma grande parte da sua produção para a Ásia e Europa de Leste, regressaram recentemente para a Tunísia.De acordo com Ramzi Karker, director comercial do grupo produtor de vestuário Le Cavalier, que apresenta uma capacidade de produção de 21.000 peças por dia, na sua maioria jeans, refere que a razão do regresso dos clientes da China prende-se com o facto dos chineses exigirem grandes quantidades. De acordo com este responsável, enquanto que as empresas chinesas recusam encomendas com menos de 5.000 calças, a Le Cavalier tem diminuído o nível mínimo da encomenda dos 1.000 para os 500 pares de calças.










