Tunísia convoca UE para uma parceria mais forte

Após vários anos de crescimento contínuo, as exportações de têxteis e vestuário da Tunísia para a União Europeia caíram cerca de 5,8 por cento em 2005.Os representantes do governo e indústria da Tunísia acreditam, todavia,que o país poderia competir com sucesso com a Ásia se a União Europeia agisse como um melhor parceiro Euromed. Numa visita a Paris no início de Maio deste ano, o primeiro-ministro da Tunísia Mohamed Ghanouchi expressou o seu desapontamento com os resultados do Acordo de Associação- Association Agreement* -concluído entre a Tunísia e a União Europeia em 1995. Ghanouchi descreveu este acordo como não sendo mais do que um acordo de comércio livre, e pediu à União Europeia para desenvolver uma visão mais ambiciosa nesta parceria com os países mediterrâneos. Em particular, pediu ajuda para melhorar a competitividade da indústria têxtil e de vestuário desses países, o que poderia também trazer benefícios à União Europeia. Em particular, Ghanouchi referiu que o sector têxtil e de vestuário, a “espinha dorsal” da economia do seu país, poderia competir internacionalmente se fosse maisapoiado pela União Europeia. Importações de vestuário da União Europeia Em 2005, as importações de vestuário da União Europeia eram dominadas pela China (16,8 mil milhões de euros) e a Turquia (8 mil milhões de euros). As importações de vestuário da União Europeia de mais outros quatro países excedeu os três mil milhões de euros- a Roménia com 3,6 mil milhões de euros, o Bangladesh com 3,5 mil milhões, e a Índia e a Tunísia ambos com 3,2 mil milhões de euros. No entanto, enquanto as importações de vestuário da China para a União Europeia (+46,3%) e a Índia (+30,2%) elevou os preços em 2005, e as da Turquia aumentaram numa base mais modesta (4,2%), as dos outros grandes países, Tunísia incluída, mostraram uma diminuição. Em resposta, o Cepex, o Centro de Promoção das Exportações da Tunísia- Tunisian Export Promotion Center, está a lançar um plano bem organizado para apoiar as exportações de vestuário tunisinas. Ferid Tounsi, presidente e director-geral do Cepex, apresentou os seus planos em Bruxelas a 8 de Maio, incluindo o realce da competividade do sector, melhorando o marketing internacional e procurando sinergias entre a União Europeia e a indústria tunisina. A Tunísia é, actualmente, o sexto maior exportador de vestuário para a União Europeia. Com isto é o maior fornecedor de calças (especialmente jeans), lingerie e roupa de trabalho. É também um importante exportador de camisas, blusões e anoraques para a União Europeia. O marketing internacional é certamente essencial para reduzir a dependência excessiva das exportações para França do têxtil e do vestuário (40 por cento de exportações em 2005) e Itália (25 por cento). Outros clientes importantes são a Alemanha (11%), a Bélgica (7%) e o Reino Unido (4%). As estatísticas de importações da União Europeia cobrindo os primeiros dois meses de 2006 mostram que as importações de têxteis e de vestuário dos três principais fornecedores continuam a aumentar: a partir da China (+19,9 por cento em euros), da Turquia (+4,9%) e da Índia (+31,6%). O facto da União Europeia importar de Hong Kong durante esses dois meses mais dodobro (+159%) cria dúvidas em relação à eficácia da política de quotas contra a China. Contudo, a Tunísia e outros fornecedores de vestuário do Mediterrâneo não foram afastados pelos concorrentes asiáticos. As importações de têxtil e artigos de vestuário da União Europeia a partir da Tunísia (tradicionalmente cerca de 92 por cento do total das importações são vestuário) aumentaram ligeiramente, em 2,8 por cento. Marrocos (+4,6%) e especialmente o Egipto (13,3%) fizeram ainda melhor. Estrela exportadora do Mediterrâneo Será o Egipto uma estrela de exportação em ascensão, desafiando a Tunísia e Marrocos, que começaram a cair? De acordo com Ahmed Sellami, presidente da Fenatec (Federação de Têxtil e Vestuário da Tunísia), a sustentabilidade da indústria tunisina é melhor que a do Egipto. O salário mínimo na Tunísia é de cerca de 200 euros por mês e a maior parte dos produtores de vestuário pagam mais do que o mínimo legal, enquanto o trabalho egípcio é muito mal pago. Sellami aponta a importância do investimento estrangeiro para o sector da indústria têxtil e do vestuário. O país tinha 2.094 empresas em 2005, das quais quase mil são empresas com capital estrangeiro (joint-ventures ou propriedade total). Os incentivos a investidores estrangeiros na Tunísia são muito atractivos e vão provavelmente tornar-se cada vez mais quando as quotas contra a China desaparecerem . TexMed 2006 Riadh Attia, o comissário geral da reformulada feira de vestuário TexMed (em Tunis, de 14 a 16 de Junho de 2006) define a TexMed como o maior evento comercial da área Euromed, com o objectivo de estimular sinergias e criar alianças entre as empresas da União Europeia e tunisinas, num espírito de solidariedade, complementaridade e prosperidade Euro-mediterrânea. Quarenta e três dos 183 expositores confirmados são estrangeiros, especialmente empresas europeias. Os 140 expositores tunisinos jogam os trunfos da proximidade à União Europeia, entregando com rapidez e elevada competência. * A Tunísia foi o primeiro país a assinar uma Acordo de Associação com a União Europeia em 17 de Julho de 2005. O Euro-Med Association Agreement entre a Comunidade Europeia e os seus estados membro, na primeira parte, e a República da Tunísia, na outra, entraram em vigor a 1 de Março de 1998. Para além de fortalecer o diálogo político, comercial, económico e cultural, um importante componente do Acordo de Associação permite o estabelecimento de uma área de comércio livre União Europeia-Tunísia até ao final de 2010.