Troficolor produz mais em Portugal

A empresa portuguesa tem aumentado a colocação de produções no país e está a fazer mais desenvolvimentos com parceiros nacionais, nomeadamente na área dos reciclados.

Carlos Serra

Atenta às tendências para aplicar no desenvolvimento das suas próprias coleções, a Troficolor está a colaborar, cada vez mais, com empresas lusas para produzir novos artigos. «Como não temos tecelagem própria, ou adquirimos o fio e fazemos depois a produção do tecido com um parceiro ou então o nosso parceiro compra diretamente o fio onde indicamos e entrega-nos o tecido pronto», explica, ao Portugal Têxtil, Carlos Serra.

Segundo o CEO da empresa, a produção de tecidos em Portugal tem vindo a aumentar. «Já comprávamos telas cruas para acabar em Portugal. Fazemos acabamentos na Somelos e na TMG. Agora estamos a tentar produzir mais em Portugal, primeiro porque alimentamos a nossa economia e também porque não há uma diferença tão grande de preço quanto havia antigamente. Além disso, se comprarmos cá, à partida há menos pegada ambiental», sublinha. «Mesmo sendo um pouco mais caro, penso que os clientes ainda estarão na disposição de pagar essa diferença», refere.

Neste momento, a Troficolor tem feito aproximações «a algumas tecelagens que tenham disponibilidade», afirma Carlos Serra, que admite que «é muito mais complexo fazer o desenvolvimento de um tecido», sendo que «os mínimos são muito altos».

Mas as mudanças no mercado permitem à empresa avançar agora na produção “made in Portugal”. «Por mim, o desenvolvimento e a produção seriam sempre feitos em Portugal. Sempre foi um desejo nosso. No passado não tivemos a predisposição dos nossos parceiros para nos ajudarem nisso», acrescenta o CEO da Troficolor.

Esta aposta na produção nacional deixa de fora, contudo, os tecidos denim, que são feitos, essencialmente, em parceiros sediados na Turquia, na Índia e no Paquistão. «Em Portugal não há fábricas, não há tecelagem nem acabamentos de tecidos denim», realça Carlos Serra, que indica que recorre a unidades produtivas com condições semelhantes ou até superiores às praticadas na Europa, nomeadamente em termos de sustentabilidade, «com energias renováveis e reaproveitamento de água», ilustra. «Só trabalhamos com empresas certificadas e auditadas, previamente validas por nós, que têm igualmente de cumprir requisitos sociais. Tudo isso é salvaguardado», ressalva.

As questões sustentáveis estão bem enraizadas na Troficolor, que, já em 2019, foi uma das pioneiras na recuperação de tecidos de coleções passadas para integrar em novas propostas, um conceito que esteve em destaque na Première Vision, em fevereiro deste ano. «Não usamos o termo deadstock. Para nós são simplesmente artigos que já foram produzidos e que estão na moda, porque o tecido é intemporal», sublinha Carlos Serra. «Estamos a dar uma nova utilização. O tecido existe, não é preciso fazer novos acabamentos, portanto não temos de gastar água, nem eletricidade nem há emissões de CO2», destaca.

O conceito de recuperação e reutilização, de resto, está bem patente nas apresentações da empresa, quer no seu showroom, quer na participação em feiras internacionais. «Fazemos o reaproveitamento, por exemplo, dos contentores de lixo que eram da nossa antiga fábrica de acabamentos, que transformámos em algo útil e importante», exemplifica.

A Troficolor está ainda a usar reciclados nas suas propostas. «Temos fábricas onde produzimos que têm produções de fios reciclados, algumas são verticais, outras têm fios reciclados que nos apresentam», explica. «Nós também procuramos. Agora estamos com um parceiro em Portugal, a Recutex, que está a começar a apresentar-nos alguns fios e estamos a desenvolver alguns produtos com eles», revela Carlos Serra.

Depois de um ano «simpático» em 2023, apesar da quebra ligeira no volume de negócios em comparação com o ano anterior, 2024 começou com mais otimismo, sobretudo nos certames internacionais, como a Milano Unica e a Première Vision. «Não se nota pessimismo. As pessoas estão dinâmicas e motivadas», salienta o CEO da Troficolor.