Um tribunal dos EUA bloqueou a aquisição prevista por 8,5 mil milhões de dólares da Capri Holdings pela Tapestry, uma fusão entre dois gigantes norte-americanos de acessórios de moda, que incluiria marcas como Coach, Versace, e Michael Kors. A decisão, refere a Reuters, marca uma vitória para a Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC) e representa um obstáculo potencialmente fatal para o negócio.
A decisão, proferida pela juíza Jennifer Rochon, rejeitou o argumento das empresas de que os artigos de luxo, como as malas, não são essenciais e que os consumidores podem ajustar-se ao aumento dos preços escolhendo não os comprar. Segundo a juíza, «as malas são importantes para muitas mulheres, não só como expressão de moda, mas também como utilidade no dia a dia».
A FTC defendeu que a fusão iria reduzir a concorrência direta entre os principais produtores de malas dos EUA, permitindo à nova empresa aumentar injustamente os preços.
Em resposta, a Tapestry manifestou discordância com a decisão, declarando a sua intenção de apelar. Segundo a empresa, o mercado de luxo acessível é altamente competitivo e fragmentado, e a fusão serviria para fortalecer a sua posição face aos concorrentes europeus, como a Gucci, que têm vindo a expandir a sua quota de mercado. «Estamos sob pressão concorrencial de produtos tanto de menor como de maior valor e acreditamos que esta transação é pró-concorrência e pró-consumidor», afirma a Tapestry.
As ações da Capri registaram uma queda de 47% após a decisão, enquanto as da Tapestry subiram cerca de 13% no mercado secundário. A decisão judicial impede temporariamente a fusão e, de acordo com os advogados da Tapestry, pode comprometer a transação caso o processo se prolongue além da data de término do acordo, em 10 de fevereiro.
Apesar da decisão desfavorável, a Tapestry e a Capri comprometeram-se a recorrer em conjunto, como previsto no acordo de fusão. Caso o negócio seja concluído, o conglomerado vai reunir sob o mesmo teto seis marcas de luxo reconhecidas, nomeadamente Coach, Kate Spade, Stuart Weitzman, Versace, Jimmy Choo e Michael Kors.
Esta decisão surge num momento sensível para a administração Biden, num cenário onde a inflação e o aumento de preços são preocupações de peso para os eleitores, à medida que se aproxima a eleição presidencial de novembro. Henry Liu, diretor do Gabinete de Concorrência da FTC, saudou a decisão como «uma vitória não apenas para a FTC, mas também para os consumidores em todo o país que procuram acesso a malas de qualidade a preços acessíveis».
A fusão já recebeu a aprovação de reguladores no Japão e na União Europeia.



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