Os arcos romanos, as goteiras esculpidas e as torres pontiagudas do Museu de História Natural de Londres são reminiscências de uma catedral. Desde ontem, trendsetters vindos dos quatro cantos do mundo, reuniram-se aí para orar aos deuses da moda londrina. Os designers apresentam, até sexta-feira, as suas colecções Outono-Inverno 2008/2009 nas tendas brancas montadas em frente ao museu naquela que era considerada a “parente pobre” das semanas da moda de Nova Iorque, Paris e Milão, mas que estÁ a ganhar terreno – a Semana de Moda de Londres. Natureza, pintura e futuro: os estilistas que marcaram ontem o início da semana de moda londrina buscaram inspiração em todas as direcções para as suas propostas da próxima estação fria. Quis privilegiar o toque, a textura e um pouco da história», explicou o criador irlandês Paul Costelloe, que jÁ hÁ vÁrias edições dÁ o pontapé de saída da Semana de Moda de Londres. Inspirando-se na ópera, Costelloe procurou criar uma colecção romântica e feminina, reflectindo o estilo dos anos 40 e 60 (…) adaptado à mulher moderna», acrescentou. A mulher moderna esteve também em destaque na colecção de Bem de Lisi: Trata-se de uma mulher que incarna a classe com um toque de perigo. Não demasiado sexy mas bastante chique». Face a este primeiro dia de desfiles pelas passerelles londrinas, o próximo Outono serÁ colorido de tons de ferrugem, chocolate, azul-petróleo e realçado com rosa fúcsia e vermelho escarlate. Mas o ponto alto da Semana da Moda de Londres serÁ quinta-feira, dia de São Valentim, com o regresso da estilista britânica Vivienne Westwood, depois de nove anos de ausência, que apresentarÁ a nova colecção da linha de pronto-a-vestir Red Label. Estamos de volta a pedido geral. As vendas de todas as nossas linhas aumentaram e decidimos que a Red Label, conhecedora de um sucesso mundial e extremamente popular no Reino Unido, devia ter o seu próprio desfile», declarou Vivienne Westwood. Grande expectativa estÁ também a gerar a eventual presença da top model Kate Moss, de origem inglesa, que poderÁ desfilar para a “Rainha do Punk”. Esta edição deverÁ também ficar novamente marcada pela polémica sobre a saúde das manequins. Um relatório encomendado pelo British Fashion Council (BFC) resultou no passado mês de Setembro de 2007 em recomendações como a interdição de modelos com idade inferior a 16 anos e obrigação de apresentar um atestado médico de boa saúde a partir de Setembro de 2008. Segundo a directora-geral do BFC Hilary Riva, as agências de manequins comunicaram que toda a acção unilateral da Semana de Moda de Londres se traduzirÁ simplesmente na recusa das manequins de trabalhar em Londres, que é jÁ a menos atractiva comercialmente» das quatro principais semanas de moda. Mais de 70% das manequins que desfilam na Semana de Moda de Londres chegam do estrangeiro, frequentemente apenas algumas horas antes de subir à passerelle. Quanto aos compradores, as grandes cadeias americanas como a Saks Fifth Avenue, Barneys e Neiman Marcus estão a privilegiar outras semanas de moda europeias como Paris e Milão. Vamos ter uma menor participação dos EUA, mas em contrapartida os mercados emergentes – Rússia, China, Coreia do Sul, Ucrânia, Médio Oriente, … – vão marcar a sua mais forte presença de sempre», revelou Anna Orsini, porta-voz da Semana de Moda de Londres. David James, professor de gestão e marketing no Henley Management College, considera que a Semana de Moda de Londres beneficia directa e indirectamente a economia do país. Mantém as marcas britânicas na linha da frente e mostra ao mundo que o Reino Unido é bom em design e criatividade». A Semana de Moda de Londres praticamente quadruplicou o seu programa desde que o BFC se tornou no anfitrião do evento, em 1994, que contou com 15 desfiles e 50 criações. Esta edição apresenta 57 desfiles e mais de 200 criações de pronto-a-vestir e de acessórios, incluindo de nomes sonantes como Julien McDonald, Paul Smith, Luella ou Jasper Conran, mas também de novos talentos como Gareth Pugh, Giles ou Bora Aksu. Patrocinada pela Cânon, o evento deverÁ atrair mais de 5.000 visitantes, injectar 20 milhões de libras na economia londrina e gerar mais de 50 milhões através da cobertura da media mundial.










