Torres Novas pisa novos territórios

Depois de regressar com a roupa de banho, a marca centenária está atualmente a chegar a novos segmentos de produto e a mais mercados. A roupa de cama e uma operação comercial no Reino Unido são as mais recentes apostas.

Miguel Castel-Branco e Nuno Vasconcellos e Sá

A marca que em tempos foi uma referência nos têxteis-lar nacionais, propriedade da Companhia de Fiação de Torres Novas, foi relançada em 2020 e desde então não tem parado de crescer.

«O meu tio-avô, Adolfo de Lima Mayer [antigo administrador e acionista da Companhia de Fiação de Torres Novas], teve sempre o sonho de relançar a marca», revela Nuno Vasconcellos e Sá, que, juntamente com a esposa Inês Vaz Pinto e o amigo Miguel Castel-Branco, lidera a Torres Novas. «O meu tio-avô, que tem 85 anos, ainda hoje em dia trabalha connosco», acrescenta.

O primeiro foco do relançamento foi a hotelaria, mas com a pandemia a fechar hotéis e, consequentemente, a travar o negócio, a empresa decidiu avançar com a marca própria. Em novembro de 2020, as toalhas com o logótipo Torres Novas voltaram ao mercado. «A única diferença foi que tínhamos pensado num relançamento da marca mais em grande, com mais produtos e mais cores e variedade, e, fruto da crise, fomos obrigados a escolher as melhores cores e os melhores produtos. De certa forma, se calhar até foi uma coisa boa, porque obrigou-nos a ser mais comedidos e a decidir mais depressa. Não nos arrependemos, foi uma decisão muito boa, porque deu logo resultados muito positivos em termos de reconhecimento. Confirmou-se o valor da marca, crescemos muito rápido e começámos logo a entrar em muitos lojistas e a vender muito bem online», afirma Nuno Vasconcellos e Sá.

A seguir aos felpos, foi a vez da cama. «Fomos recuperando alguns produtos antigos, como coleções antigas de felpos ou roupões e fomos introduzindo produtos novos. Tivemos, desde o início, uma forte aposta nas toalhas de praia, no primeiro verão, que tem crescido todos os anos e que tem sido um dos nossos vetores de desenvolvimento. E no ano passado entramos na roupa de cama, aí pela primeira vez. E é também uma aposta de crescimento», revela.

Em 2022, a Torres Novas avançou para as feiras internacionais para chegar a mais mercados. «Estamos a fazer um investimento grande para o mercado externo», assume o CEO. Além da Heimtextil, a Ambiente, também em Frankfurt, e a Maison & Objet têm feito parte do roteiro. «Não temos em particular nenhum país em mira», refere, embora a conquista do Reino Unido esteja agora a ser alvo de uma aposta reforçada. «Estamos a fazer um esforço muito grande para termos uma operação local, em Manchester, para podermos trabalhar o mercado como se fosse um mercado doméstico», explica. «É um mercado difícil, mas com muito potencial», realça Nuno Vasconcellos e Sá, que aponta as especificidades causadas pelo Brexit como um entrave ao crescimento. «A parte do online é muito difícil de trabalhar a partir de Portugal: cada encomenda, consoante o valor, tem regras aduaneiras diferentes e os envios não ficam em conta», exemplifica.

O comércio online, direcionado para o consumidor final, representa atualmente cerca de 35% das vendas da Torres Novas, que em 2023 registou um volume de negócios de 1,4 milhões de euros. «Este ano o objetivo é chegar aos 2 milhões de euros, com uma aposta grande na exportação», indica Nuno Vasconcellos e Sá.

Novos materiais, novos desenhos e novos produtos, «sobretudo na cama», fazem igualmente parte da estratégia de crescimento da Torres Novas, que recorre à subcontratação, «sempre em Portugal», para produzir os seus artigos. «No final do ano planeamos entrar na roupa de mesa», anuncia o CEO. A ideia, sublinha, «é ter toda a gama de casa e fazer este investimento para crescer em produto e geografias, tanto no online como no canal mais tradicional, como o que estamos a explorar na Heimtextil», conclui.