Tommy Hilfiger entra na Bolsa

A Tommy Hilfiger pode voltar aos caminhos da Bolsa de Valores mais cedo do que se poderia pensar. Após rumores de uma primeira oferta pública na semana passada, os meios de comunicação social avançam agora que o grupo Apax Partners, que tem cerca de 80% da Tommy Hilfiger, pediu a diversos bancos, nomeadamente ao Crédit Suisse e ao Citigroup, para estudar o dossier para uma eventual entrada na Bolsa. Enquanto o Financial Times aponta a Bolsa de Nova Iorque como o mercado mais provável, o Daily Telegraph aponta a Bolsa de Valores de Londres, até porque a marca tem feito um percurso impressionante no mercado europeu, tendo realizado no Velho Continente um volume de negócios de 700 milhões de euros.Será então tempo da Apax Partners recuperar o que se perdeu? Do lado da Tommy Hilfiger, em Nova Iorque, Wendi Kopsick, porta-voz do grupo, recusa-se a comentar. O certo é que após a aquisição da marca, em 2005, a nova equipa de administração do grupo Apax Partners – liderada pelo director-executivo Fred Gehring – redireccionou a empresa para que uma grande parte do negócio seja feita na Europa. A sede da empresa foi transferida para Amesterdão e o negócio foi dividido em quatro unidades empresariais independentes nos EUA, Canadá, Europa e Oriente. Nesta reformulação, a Apax apostou também na descontinuação do negócio de retalho vertical da H Hilfiger e da sua colecção de vestuário de criança, e da linha de sportswear contemporâneo de Karl Lagarfeld, que estava sedeada em Nova Iorque e foi lançada na Neiman Marcus e na Bergdorf Goodman.Uma história de renovaçãoOs negócios da Tommy Hilfiger estiveram florescentes nos anos 90. Tommy, amigo de músicos de hip-hop, encontrou um nicho de mercado junto dos jovens negros, amantes de streetwear, de logótipos bem visíveis, de pólos grandes e de calças muito largas. Mas as estrelas do mundo da música rap Jay Z e P. Diddy também se lançaram no universo da moda. E os seus fãs deixaram a Tommy Hilfiger em favor das linhas Rocawear de Jay Z, e Sean John de P. Diddy.O criador nova-iorquino teve então de se reinventar. E, retomando a sua fonte de inspiração inicial, apostou no estilo muito próprio dos estudantes dos colégios, elegantes, amantes de texturas e tecidos mais refinados. A fórmula acabou por convencer os americanos de ambos os sexos. A Tommy Hilfiger abriu recentemente em Nova Iorque, na Bleecker Street, a sua primeira "loja chique" totalmente dedicada à mulher. E planeia já a abertura de novos espaços para Miami e Washington.