Tom Tailor quer ser rápido e pontual

Guido Dohm chegou à Tom Tailor em 2004 e nessa altura os artigos “passeavam” por 170 fornecedores, em 19 países, sobretudo do extremo Oriente. Actualmente a situação é completamente distinta: 100 produtores, em 13 países, têm como missão cumprir o objectivo de fazer chegar anualmente às lojas até 12 colecções. Desde que Dohm faz parte da direcção da empresa, a cadeia de fornecimento sofreu alterações drásticas, tendo o primeiro grande passo sido oportfolio de fornecedores cuidadosamente escolhido. O recurso aos sistemas de informação permite um controlo eficaz da cadeia de fornecimento desde a matéria-prima, até à peça acabada e ao seu transporte, tudo isto no centro de logística, em Hamburgo. Dohm é responsável pelas áreas de compras, licenças e também pela logística e cadeia de fornecimento. «Em muitas empresas, a logística e a cadeia de fornecimento não estão ancoradas na administração. Para nós, a cadeia de fornecimento é tão importante como temas como o design ou a distribuição», sublinha Dohm. A cadeia de fornecimento já estava bastante bem organizada antes da sua chegada à empresa. «Fiquei entusiasmado com os volumes da Tom Tailor», afirma Dohm. O seu próximo passo foi procurar um sistemaTI que facilitasse a gestão da complexidade da estrutura de sourcing. Um critério fundamental para a escolha foi a rapidez da integração. A escolha recaiu sobre uma solução da Setlog, uma empresa especializada em soluções para a gestão da cadeia de fornecimento. A coordenação com sucesso entre a Tom Tailor, os agentes e os locais de produção tem sido até ao momento feita através de fax, e-mail, telefone, sistema ERP e folhas de Excel. Para optimizar o processo foram instalados mais de 30 documentos diferentes. Quando procurou no mercado possíveis soluções não excluiu empresas que não pertenciam ao sector, contudo tornou-se evidente que no caso particular de sourcing é indispensável o conhecimento do sector visado. «Quando explicamos a empresas desconhecedoras deste sector quais são os requisitos que uma ferramenta de gestão da cadeia de fornecimento tem de ter muitas vezes mostram-se surpreendidos», explica Dohm. Os primeiros encontros com a Setlog comprovaram que ambas as empresas falam a mesma língua. Todo o projecto, supervisionado por Sakir Karakaya por parte da Tom Tailor, decorreu como o trabalhar de um relógio suíço. «Tanto no que diz respeito à duração como ao orçamento», afirma Dohm. A implementação do novo sistema decorreu gradualmente. Tudo teve início na Indonésia, um dos países fornecedores mais importantes da Tom Tailor. «Fomos muito bem recebidos pelos agentes e a formação decorreu sem qualquer problema», afirma Torsten Schwarz, director-executivo da Setlog. O próximo alvo foi a Turquia, seguida, entre outros, pela Índia, Bangladesh e China. Segundo Dohm, «até ao final do ano, 85 por cento dos artigos deverão ser processados pela nova ferramenta», uma vez que os principais fornecedores e agentes deverão estar ligados ao sistema. «A ferramenta existe para servir e temos tido um feedback muito positivo», afirma Karakaya. O sistema da Setlog baseia-se na Internet e em princípio pode ser acedido em qualquer parte do mundo. Para uma empresa de moda como a Tom Tailor é importante que os artigos chegam à loja no prazo certo. Quando os artigos chegam de países e produtores diferentes é indispensável uma transparência total da cadeia de fornecimento. Trata-se de rapidez e sobretudo de pontualidade. Regra geral, desde que se inicia a peça de vestuário até à sua chegada à loja passam-se entre seis a sete meses. «Queremos encurtar o prazo de entrega o mais possível e entregar no local exacto», este é o objectivo principal de Dohm. A redução dos custos com o transporte é outro tema importante. Quanto mais transparente for a cadeia de fornecimento, mais fácil é planear qual o caminho de entrega que deve ser escolhido. Guido Dhom afirma que «pensamos com a implementação da Setlog poupar anualmente pelo menos 750.000 euros através da alteração das formas de transporte, optimização da logística e redução dos custos com a força de trabalho». Se se considerar factores como a satisfação do cliente, melhores vendas e menos cópias, entre outros, existe uma grande possibilidade de aumentar os ganhos. As áreas de armazenamento também deverão ser reduzidas a médio prazo. Se a cadeia de fornecimento estiver sob controlo, os artigos que foram atempadamente embarcados no extremo Oriente podem ser armazenados de forma móvel num navio. Quando forem desembarcados de acordo com o plano na Alemanha não precisam de ser armazenados novamente e podem rapidamente chegar às lojas. Eliminar completamente o armazenamento não é possível, por isso nunca vai deixar de existir um armazém para aqueles artigos que são sempre encomendados e que podem assim ser rapidamente entregues quando solicitados. A Tom Tailor ainda não deu por concluído o seu processo de optimização. Até meados de 2007 toda a cadeia de fornecimento deverá ser transparente. «O nosso objectivo é tornarmo-nos até 2007 uma referência para as outras empresas verticais», explica Dohm. Tendo em vista este objectivo, a empresa vai ainda implementar um sistema ERP (Enterprise Resource Planning) do especialista em software Intex no seu centro de logística. Uma vez que a cadeia de valor só termina no ponto de venda, também está a ser procurada uma ferramenta para controlo da cadeia de fornecimento na área da distribuição. Se tudo correr de acordo com o planeado, os próximos anos não serão calmos. A certificação da qualidade é um dos objectivos no país natal. «Temos ainda várias ideias que queremos concretizar», conclui Dohm.