Tom Tailor constrói o futuro

Uwe Schröder olha para o futuro cheio de esperanças e ideias. Os planos incluem uma expansão massiva do número de lojas, uma nova linha jovem a iniciar em 2007 e a preparação da entrada na bolsa, tudo após a separação não pacífica dos administradores Burkhard Stuhlemmer e Guido Dohm. Schröder prefere não falar sobre este assunto reduzindo os seus comentários a «ambos são pessoas inteligentes, capazes, mas que não se adaptam à Tom Tailor». Existem três candidatos possíveis à sucessão, um dos quais reúne a preferência do presidente de 64 anos, revelando apenas que se trata de «um alemão de uma empresa europeia». A decisão será conhecida em breve. A entrada na bolsa Nos próximos dois anos será preparada a entrada da empresa na bolsa que, aquando da aquisição de 60 por cento por parte da Alpha Gmbh & Co KG, passou a ter a denominação Tom Tailor GmbH (Ltda). De acordo com Schröder, a hipótese da Alhpa voltar a fazer uma oferta pública de venda permanece em aberto. «O cenário ainda não está definido. Cada um de nós vai ter de fazer concessões», afirma Schröder. Ele ainda tem uma participação na Tom Tailor de 10 por cento e o investidor italiano Piofrancesco Borghetti de 30 por cento. O último ano fiscal foi positivo para a empresa de Hamburgo, com um volume de negócios de cerca de 440 milhões de euros, equivalente a um aumento de 14 por cento. Os detentores de licença lucraram com a marca cerca de 76 milhões de euros. Os produtos licenciados são variados: meias, relógios, bijutaria, cintos, malas, calçado, perfumes, roupa interior, óculos e também têxteis-lar e artigos de higiene pessoal. Os ganhos relativos a estes produtos subiram dois terços comparativamente a 2004, ano em que se atingiu 46 milhões de euros. Para este ano, Uwe Schröder espera um aumento do volume de negócios de 10 por cento. O crescimento deverá ter lugar no mercado interno, mas sobretudo no exterior. As exportações devem crescer um quinto, constituindo 40 por cento do volume de negócios. Os mercados mais importantes para a Tom Tailor são, para além dos países estrangeiros de língua alemã e o Benelux, a Rússia, os países de Leste como a Chechénia, Croácia e Eslovénia eos países árabes com os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Síria e Jordânia. «Na Arábia abrimos quase de 14 em 14 dias uma nova loja em centros comerciais», afirma Schröder. A China ainda desempenha um papel secundário, com cerca de 20 lojas. «O caminho é sinuoso. Os grupos-alvo com poder de compra para os produtos Tom Tailor abarcam cerca de 30 a 40 milhões de pessoas que devido ao tamanho do país são difíceis de alcançar». O mercado indiano é muito interessante. «Os indianos têm uma figura semelhante, falam inglês e têm uma orientação para o ocidente», explica Schröder. Os planos para a Alemanha são ambiciosos. Para os próximos quatro anos estão planeadas 250 lojas com parceiros de comércio, com os quais a Tom Tailor espera alcançar um volume de negócios de 120 milhões de euros. Presentemente, no país, existem 19 parceiros responsáveis por 35 lojas Tom Tailor franchisadas. O mercado apresenta, todavia, um problema: «na Alemanha ainda há muita gente que não sabe que a Tom Tailor também tem vestuário de senhora», explica Uwe Schröder. A empresa começou como produtor de camisas de homem e, desde 1999, tem uma linha de senhoraque representa 35 por cento no volume de negócios, sendo que 48 por cento tem origem na colecção de homem e 16 por cento no vestuário para criança. A fatia é concluída pelos ganhos das licenças concedidas. Mais marketing Para implementar e captar as atenções para a sua linha de vestuário para senhora, a marca lançou uma campanha publicitária com o slogan “Tom Tailor torna-se feminina”. Para esta ofensiva de publicidade foram retirados 5 por cento do volume de negócios, sendo de salientar que a marca há três anos que não tinha uma campanha publicitária tão forte. A campanha vai ter início no Outono em revistas femininas e o detentor da licença de perfume Tom Tailor, a Procter & Gamble, vai exibir em cinemas e na televisão spots publicitários da fragrância . No próximo ano será lançada uma linha mais jovem cujo grupo-alvo se situa entre os 18 e 25 anos de idade. «Queremos com esta linha preencher um gap entre a nossa colecçãode rapariga e senhora», afirma Schröder. No enquadramento desta novo projecto vão ser contratados mais 30 colaboradores. Esta nova colecção chegará às lojas no Verão de 2007. Parece, todavia, não haver consenso relativamente ao nome a escolher. A sua produção terá lugar principalmente na China, Indonésia, Índia, Bangladesh e Turquia. No futuro, a inspecção final será feita no local de produção para poupar tempo e dinheiro. Tudo novo Também na área da logística há novidades: vão ser implementados um novo sistema de tecnologias de informação (TI) para a cadeia de fornecimento e um novo ERP. Está também a ser construído um novo centro de logística no aeroporto de Hamburgo que contará com um novo sistema de gestão de stocks. A Tom Tailor vai ainda presentear os seus clientes e parceiros com lojas renovadas. «Os clientes vão tornar-se também clientes da loja», explica Schröder. Uwe Schröder está contente com a forma como a marca se tem desenvolvido. Quando fala do futuro com tanto entusiasmo é difícil acreditar que em breve vai sair da empresa. Ele próprio diz, «o negócio dá-me imenso prazer». Mas ele também sabe que «não seria bom se com 68 ainda estivesse na moda para pessoas jovens».