To Be Green transforma fardas em mantas

A spin-off da Universidade do Minho ajudou a PreZero a dar uma nova vida ao fardamento antigo dos seus trabalhadores, transformando cerca de duas toneladas de roupa em 230 mantas que serão entregues a instituições de solidariedade social.

[©PreZero]

A To Be Green tem vindo a trabalhar na área da reciclagem há vários anos, tendo como objetivo encontrar soluções para a valorização de vestuário usado. Como explicou António Dinis Marques, fundador da To Be Green, na conferência “Transformar a indústria têxtil: transição para um futuro sustentável no mercado global”, «começámos há uns cinco anos a estudar o comportamento do consumidor no descarte e foi a partir daí que muito foi feito, tudo muito sustentado naquilo que foi a investigação», focando-se na valorização dos resíduos.

António Dinis Marques

Desde então, a To Be Green trabalhou com diversas entidades, desde empresas privadas a câmaras municipais, para procurar «retirar o máximo de vestuário e uniformes usados de aterros, usando várias formas de valorizar esses resíduos», indicou. O que é possível valorizar para voltar a usar é redesenhado – como foi feito com as fardas da Águas do Tejo Atlântico, em que foram retirados os elementos identificativos das peças e aplicados elementos de design que permitiram a reutilização – e o que não pode ser usado é reciclado e transformado em fibra, através de um parceiro, para ter novas aplicações.

Este trabalho foi feito agora para a PreZero Portugal, fornecedora de serviços ambientais. Após a recolha, cerca de duas toneladas de fardas foram encaminhadas para a Unidade de Mortágua Industriais da PreZero, onde passaram por um processo de triagem. Posteriormente, seguiram para as instalações da To Be Green, que procedeu à reciclagem das fardas, produzindo fibras têxteis que foram usadas para as mantas.

[©PreZero]
[©PreZero]
«Ao fazermos o desvio destes resíduos para aterro, acabamos por contribuir de uma forma positiva para a sustentabilidade e redução da pegada ecológica, pois evitamos extrair novos materiais da natureza. Preservar os recursos e reduzir a zero a quantidade de resíduos não reutilizáveis vai ao encontro do desígnio da PreZero: Uma nova forma de pensar para um futuro mais limpo», afirma, em comunicado, Rui Matos, responsável pela Unidade de Mortágua Industriais da PreZero Portugal.

«Durante este processo foram verdadeiramente poupadas emissões, aquilo que é o impacto ambiental do ciclo de vida do produto. No caso particular deste projeto da PreZero foi feita economia circular. Ou seja, pegamos naquilo que era um resíduo em fim de vida, que não teria qualquer valorização, e passamos a incorporá-lo num produto com utilidade, dando-lhe uma nova vida», sublinha António Dinis Marques.

As mais de 230 mantas resultantes vão ser entregues a instituições de cariz social para serem distribuídas por pessoas carenciadas.