TMG destaca relatório da Administração

Numa notícia intitulada “Auditores passam lucros da TMG a prejuízos”, o Diário Económico (DE), na edição da passada Terça-feira, refere que “a Têxtil Manuel Gonçalves (TMG) devia ter registado no último exercício um prejuízo consolidado de 5,8 milhões de euros, quando apresentou um resultado líquido positivo de 4,8 milhões de euros”, complementando que “segundo o auditor de contas Bernardes, Sismeiro & Associados, a penalizar o resultado da TMG esteve a aquisição de acções da Efacec Capital, SGPS, a perda de posição na empresa sueca Textile Solutions e a regularização de outras operações”. Segundo a Bernardes, Sismeiro & Associados, nos investimentos financeiros estão incluídos 22,3 milhões de euros correspondentes à aquisição de 24,36% do capital da Efacec Capital, SGPS, onde, segundo o ROC, “deveria ter sido aplicado o método de equivalência patrimonial. É que se assim fosse, o resultado teria sido diminuído em 2,6 milhões de euros”. O DE refere também que, na rubrica de investimentos financeiros, foi feita uma provisão considerando a perda total para a participação de 10% detida sobre a empresa de direito sueco Textile Solutions. “Esta provisão foi feita directamente por capital próprio quando deveria ter afectado os resultados do exercício em 1,2 milhões de euros”, refere o auditor de contas. Durante o exercício de 2001, foram regularizadas nas demonstrações financeiras 6,7 milhões de euros directamente por capital próprio. “Estas provisões estão relacionadas, essencialmente, com saldos provenientes de operações com terceiros que, em nossa opinião, deveriam ter afectado o resultado do exercício”, pode ler-se no relatório do auditor nas contas consolidadas da TMG. Por isso, segundo o DE, o resultado encontra-se sobrevalorizado naquele montante. O diário finalmente acrescentou que “os investimentos financeiros continuam a ter um peso significativo na estrutura do activo e a autonomia financeira mantém-se equilibrada sem comprometer o dinamismo dos investimentos, cujo plano 2001-2005, em plena realização, ronda os 50 milhões de euros”, e destaca que se verificou uma melhoria do cash-flow e dos resultados operacionais no ano de 2001 relativamente ao ano de 2000. No sentido de obter o ponto de vista da TMG sobre o assunto, o Jornal Têxtil contactou a empresa que remeteu a resposta para a consulta ao relatório da Administração sobre a apreciação global das contas, inserido no Relatório e Contas de 2001 da empresa, do qual se destaca: “Comparando valores de 2001 e 2000, as Vendas foram inferiores em 7% e as Existências cresceram 10%. Quanto a Resultados registou-se um Cash Flow, de 20,7 milhões de euros (17,8 em 2000), Resultados Operacionais de 1,6 milhões (1,5 em 2000) e Resultado Líquido de 4,8 milhões (2,5 em 2000). No entanto, houve regularizações e provisões na ordem de 10 milhões que se apresentam em Resultados Transitados, afectando directamente o Capital Próprio, mas que, seguindo critério oponível, poderiam antes ter influenciado o Resultado Líquido. Aliás, existe uma reserva na Certificação Legal de Contas, pelo facto de não considerarmos a menos-valia potencial de uma nossa participada. Do ponto de vista formal, aceitamo-la, pois assim é exigido pelas normas da Auditoria. Contudo, temos como política contabilística, tratar todos os investimentos Estratégicos/Financeiros fora da orbita do grupo TMG, de uma forma autónoma e na sua globalidade, quer se trate de mais ou menos-valias potenciais. Pelo que, numa óptica de prudência, só consideramos as mais ou menos-valias para efeito de Resultados, quando efectivamente realizadas através de uma alienação, conforme aconteceu neste exercício com uma das Participadas.” A empresa salienta ainda que o referido auditor concluiu que: “Em nossa opinião, excepto quanto aos efeitos das situações referidas (…), as demonstrações financeiras consolidadas apresentam de forma verdadeira e apropriada, em todos os aspectos materialmente relevantes, a posição financeira consolidada da Têxtil Manuel Gonçalves, S.A. em 31 de Dezembro de 2001 e o resultado consolidado das suas operações no exercício findo naquela data, em conformidade com os princípios contabilísticos geralmente aceites em Portugal.”