Tingimento sem água – Parte 2

Embora o tingimento sem utilização de água apresente diversas vantagens associadas (ver Tingimento sem água – Parte 1), os custos envolvidos na adoção de uma destas máquinas é um pormenor crucial que tem permanecido até agora sem resposta. De acordo com Ian Burnell, diretor de alianças tecnológicas na Huntsman, do ponto de vista do processamento, as máquinas são de «custo neutro», após o investimento inicial estar concluído. No entanto, Malcolm Ball, presidente técnico da Association of Suppliers to the British Clothing Industry (ASBCI), advoga que a utilização de um gás em vez de água para tingir artigos têxteis faz com que o custo de capital seja relativamente mais elevado. Ball explica que a primeira vez que olhou para a tecnologia foi em meados dos anos 90, com vista a aplicá-la no tingimento de fios de costura. «Naquela época, a economia não foi comprovada, a máquina era proibitivamente cara e embora fosse um bom processo, as linhas de costura não eram o melhor produto para utilizá-lo. Acredito que a tecnologia utilizada pela Adidas e a Nike seja exatamente a mesma, mas otimizada e adaptada para a utilização com tecido, assim os custos serão agora presumivelmente competitivos», acrescenta. A falta de informação detalhada, incluindo os custos, parece ser um ponto de discórdia para muitos observadores da indústria. Esta questão, por sua vez, levou alguns analistas a questionarem as razões da Adidas e da Nike para a adoção desta tecnologia. Andrew Filarowski, diretor técnico da Society of Dyers and Colourists (SDC) não compreende o porquê dos dois gigantes do sportswear estarem envolvidos. «A falta de informação: é o que me frustra. É fantástica [tecnologia], mas as perguntas não foram respondidas sobre o custo das máquinas. Perguntas que, se formos montar uma nova tintura, gostaríamos de saber. Eles também nunca explicam qual a percentagem da produção dentro da empresa na Tailândia que está associada a este tipo de tingimento», revela. Filarowski também questiona a viabilidade comercial de substituir uma grande parte das máquinas de tingimento tradicionais, à base de água, por máquinas de CO2 supercrítico. As preocupações de Filarowski também abrangem a falta de informação sobre segurança, taxas de produção, custos de manutenção e a quantidade de pressão usada na máquina, o que diz ser «incrivelmente alta». O diretor técnico da SDA enfatiza que «uma pessoa está literalmente sentada em cima de uma bomba», «Para mim, se eu for realmente cínico sobre isto, trata-se de um bom exercício de marketing, tanto para a Nike como para a Adidas», acredita Filarowski. Apesar de estar relativamente otimista de que outras empresas poderão com o tempo seguir o exemplo da Nike e da Adidas na adoção do processo de tingimento sem água, Filarowski permanece inflexível relativamente à existência de «problemas inerentes» no sistema. «É uma mudança de tal ordem para a indústria, que eu acho que vai ter dificuldade. Ainda existe muito desenvolvimento a ocorrer antes de tornar-se comercialmente viável para mais pessoas», acrescenta. De facto, o tingimento sem água parece certamente fazer perfeito sentido ambiental e económico. Mas, embora esta tecnologia seja vista como a solução ideal para as questões de sustentabilidade associadas aos métodos tradicionais de tingimento, ainda existem muitas perguntas que permanecem sem resposta.