tica e ecologia sustentáveis – Parte 2

A ASBCI Conference 2009 converteu-se na plataforma ideal para discutir os desafios económicos e energéticos da moda, duas questões que, conforme analisamos na primeira parte deste artigo (ver ética e ecologia sustentáveis – Parte 1), estão intimamente ligadas com o respeito pelo ambiente e o comércio equitativo. Sustentabilidade em acção Uma das medidas que a britânica Sainsbury’s utiliza para economizar energia é arrefecer as áreas do vestuário, cuja temperatura é assumidamente mais quente, utilizando o ar frio das zonas de alimentos refrigerados. A Sainsbury’s, que é responsável pela utilização de 0,5% do total da electricidade consumida no Reino Unido, afirmou recentemente que 40% dos seus clientes estavam a comprar a sua gama de vestuário com a marca “Tu”, que foi lançada há quase cinco anos. As t-shirts de comércio equitativo são a linha de artigos com maior volume de vendas da Tu, com mais de 2 milhões de unidades vendidas no ano passado. Temos encontrando alguns desafios bastante únicos com o vestuário», revelou Alison Austin, responsável pelos assuntos ambientais na Sainsbury’s. Quando existe uma área de vestuário a granel numa loja, esta actua como um radiador termoestático. Acumula calor durante o dia e absorve-o, ou seja, torna-se muito quente nesses corredores se nada for feito em relação à ventilação. Portanto, temos de reciclar o ar frio dos nossos frigoríficos e corredores de congelados e canalizá-lo para a área de vestuário». Através desta e de outras inovações ecológicas, a empresa reduziu as emissões de carbono em 20% entre 1977 e 1998, e está agora a trabalhar na redução de 25% as emissões por metro quadrado até 2012, a partir da base de 2005/06. O retalhista concorrente Tesco, que vende a marca Cherokee, também teve sucesso na comercialização do seu vestuário equitativo, com 5 milhões de artigos vendidos em 2008 em comparação com 0,5 milhões em 2007. Abi Rushton, directora de aprovisionamento de vestuário ético e ecológico na Tesco Stores, afirmou que: o destino final é um pouco desconhecido. Realmente não sabemos qual aspecto da moda ou do vestuário sustentável, o que temos sido capazes de fazer é identificar alguns dos objectivos ao longo do caminho». A responsável cita os números da TNS, segundo os quais a proporção de pessoas que acreditam que o vestuário ético é importante aumentou de 59% para 72% no ano passado. Rushton referiu ainda que os artigos de vestuário ético, ecológico e equitativo já não são apenas bons de possuir», mas existe um negócio sólido que lhes está subjacente. Se existe seriedade no fornecimento dos clientes com produtos e serviços que eles querem, então temos de ser sérios no fornecimento disso mesmo». Contributo dos fornecedores Com os principais retalhistas a reconhecerem os benefícios comerciais de ser ecológico, os seus fornecedores estão também a aproveitar a oportunidade para diminuir as emissões de carbono ao longo da cadeia de fornecimento. Um bom exemplo é a Brandix, uma empresa do Sri Lanka fornecedora de vestuário ético e ecológico para retalhistas como M&S, Next e Victoria’s Secret,. O Eco Centre da Brandix, inaugurado por Suart Rose há um ano atrás, é uma unidade industrial adornada com plantas de interior, iluminada por clarabóias e que recolhe as águas pluviais para abastecimento. Na realidade, a Brandix tem o objectivo de reduzir a sua pegada de carbono em 30% até 2012 e muitos outros fabricantes asiáticos vão provavelmente adoptar práticas ecológicas semelhantes para impulsionarem as suas exportações. Aji J Johnpillai, director-executivo da Brandix Lanka, explicou que não aconteceu de um momento para outro. A conversão demorou nove meses, tendo-se iniciado com a reunião de 1.700 associados no nosso jardim uma tarde, em Julho de 2007, para convencê-los que o “verde” é o caminho a percorrer». Por consequência, o efeito de cascata dos consumidores éticos está a ser sentido em toda a cadeia de fornecimento de vestuário e amplificado pela necessidade de poupança de energia e eficiência empresarial. Para o optimista, a conferência da ASBCI deste ano pode marcar o ponto em que o sector de vestuário do Reino Unido passou da preocupação e da incerteza económica para o planeamento de um futuro ecológico. E, mesmo para o pessimista, a racionalização dos retalhistas de moda do Reino Unido e os custos mais elevados da energia vão, pelo menos, reduzir o impacto da moda sobre o ambiente.