tica conquista grande distribuição

A grande distribuição e cadeias especializadas sentem-se a ser, cada vez mais, seduzidas pelo ético e pelo orgânico. Embora muitos players da moda tenham vindo a reflectir, hÁ jÁ muito tempo, nesta questão, poucos entre eles ainda ousaram realmente dar o passo em frente, como fez por exemplo a C&A, que utiliza jÁ 15% da produção mundial de algodão biológico. De acordo com Michel Barbot, criador do rótulo independente de desenvolvimento sustentÁvel Equibiotex, encontramos grandes marcas como Cache Cache, Loft Design by ou Armand Thiérry a reflectirem na questão e a estudarem a melhor forma de desenvolver uma política ética. Agora jÁ podemos encetar um diÁlogo mais construtivo. E podemos depois ajudÁ-los a levar a bom porto o seu projecto, com todo o conhecimento de causa. Porque não é apenas suficiente utilizar algodão biológico para termos um desenvolvimento sustentÁvel. HÁ muitas outras etapas no processo de produção que devem ser tomadas em conta, como as embalagens dos produtos e a sua comunicação publicitÁria, sem esquecer todos os aspectos directamente ligados às condições de trabalho do conjunto dos actores da cadeia». Criado hÁ sete anos, o Equibiotex só conheceu um verdadeiro crescimento hÁ dois. Alguns rótulos estão jÁ muito presentes, apesar de não responderem a todas as questões éticas e ambientais», explica ainda Michel Marbot. Os compradores interrogam-se, por isso, sobre as melhores opções a tomar e nós damos-lhes respostas concretas». Este rótulo apoia-se numa fileira completa, desde a produção do algodão biológico no Benim, à fiação, tecelagem e confecção, que são realizadas em Marrocos. Trabalhamos com toda a transparência e queremos provÁ-lo», prossegue Marbot. Estamos a elaborar uma ferramenta de traçabilidade que permitirÁ ao consumidor final conhecer, por intermédio de um código impresso na etiqueta do produto comprado, todas as etapas da sua produção, incluindo os procedimentos e os materiais utilizados. Se temos por vocação educar os compradores da grande distribuição, queremos também informÁ-los da forma mais precisa possível para que os seus actos de compra sejam perfeitamente responsÁveis e assumidos com todo o conhecimento». Michel Marbot é também o criador da marca de pronto-a-vestir justo Alter Moda, que propõe produtos bÁsicos para homem, mulher e criança. Por seu lado, Marie-Laure Delalande, criadora da marca Couleur du Vent, sente surgir uma nova tendência. Até agora, vestuÁrio ecológico rimava com bÁsico», sublinha. Actualmente, as linhas parecem evoluir. Alguns compradores deixam-se tentar por produtos mais sofisticados e, por isso, mais caros». Criada hÁ dois anos, a marca Couleur du Vent propõe cerca de 10 modelos de vestidos, disponíveis cada um em seis cores. O algodão é tecido na índia por artesãos e tingido unicamente a partir de corantes vegetais naturais. A criadora utiliza os serviços do artesanato local financiando, através de patrocínios, as fundações Tomorrow’s Fondation e Calcutta, de la rue à l’école, que trabalham na índia com as crianças de rua. Alguns modelos utilizam até 5 metros de tecido, nunca têm botões nem fechos, privilegiando assim as formas que se enrolam à volta do corpo, o que tem a vantagem de se adaptar às vÁrias morfologias. Vendida actualmente em lojas multimarca, a marca jÁ recebeu manifestações de interesse de diversos compradores da grande distribuição. O ético pode também agradar porque é tão criativo como qualquer outra vertente da moda», repete Delalande. Se uma Gérard Darel, por exemplo, decide comprar um dos meus modelos para vender sob a sua marca, ficarei satisfeita, mesmo se a Couleur du Vent permanecer na “penumbra”. Os contactos têm sido feitos neste sentido e se se concretizarem, isso serÁ a prova que o ético estÁ a ganhar terreno e que também pode rimar com criatividade». Criatividade é também uma questão fulcral para a Izzy Lane, a marca britânica criada por Isobel Davies, que propõe para homem e senhora peças com mangas em caxemira e tecidos escoceses inteiramente confeccionados no Reino Unido a partir de lãs produzidas no local. A criadora propõe uma moda rústica e original revisitando os cortes clÁssicos de casacos num estilo muito britânico. Davies trabalha também na protecção de espécies raras de ovelhas. Por seu lado, a marca alemã de vestuÁrio impermeÁvel Raffaut põe em evidência os casacos feitos em algodão e fibra de banana, uma mistura natural que não necessita de qualquer etapa de ultimação. O resto da gama é feito em algodão biológico tratado com cera de abelha. Basta ao cliente encerar regularmente o seu casaco, como faz com os sapatos, para obter uma protecção maximizada. JÁ a Sustainable Collective, criada por dois jovens estilistas, aposta numa moda alegre, jovem e dinâmica, juntando materiais reciclados com materiais orgânicos de cores vivas. JÁ referenciada em cerca de cinquenta lojas nos EUA, a jovem marca americana privilegia os cortes simples mas trabalhados e os estampados originais. Provas de que, em matéria de ética, as definições e os campos se alargam e se enriquecem, oferecendo, assim, à moda a possibilidade de responder às interrogações do consumidor em matérias ambientais e de prÁticas sociais sem esquecer a qualidade e a criatividade. Os compradores da grande distribuição e cadeias especializadas jÁ não podem escapar a este movimento, e até mesmo os mais cépticos estão a render-se às evidências.