Textilhome no Brasil com presenças portuguesas

A quarta edição da Textilhome, salão internacional de cama, mesa, banho e têxteis para o lar, encerrou no passado dia 29 de Junho, depois de quatro dias de um constante fluxo de visitantes. A Exponor Brasil registou assim a presença de 5.000 visitantes seleccionados, uma vez que somente era permitida a entrada de profissionais do sector. Estiveram presentes 150 expositores de quatro países: Brasil, Portugal, Espanha e Malásia. Com uma apresentação inovadora, os stands divulgaram o que há de melhor e mais recente neste segmento do mercado. A título de exemplo, o “Colchão Club” apresentou almofadas que utilizam tecnologia avançada para proteger os bebés recém-nascidos, bem como outras confeccionadas com materiais que inibem o crescimento de microorganismos responsáveis pelo odor. As empresas portuguesas presentes neste evento mostraram assim aos brasileiros que beleza, qualidade e design fazem parte do seu vocabulário e dos seus produtos. O Jornal Têxtil falou com algumas das empresas portuguesas presentes nesta feira, no sentido de obter as suas impressões sobre a mesma. JT – Como viu esta última edição da Textilhome? Eduardo Ferraz (Ferraz Pinto Indústrias Têxteis) – A Textilhome foi importante para nós, pois só é possível exportar para o Brasil se trabalharmos com agentes naquele país. Assim, estabelecemos uma parceria com uma empresa brasileira, detentora da marca Jovitex, que é uma marca já implantada no mercado brasileiro e assim será mais fácil para nós exportar para este país. JT – Faz então um balanço positivo da feira? EF – O ambiente do salão foi bom, apesar do espaço ser muito grande para os stands presentes, além de que os corredores eram muitos estreitos; além disso, a Textilhome foi também prejudicada pela Fenit, feira que se realizava na semana seguinte e ainda por uma feira têxtil que decorria em Blumenau, o que afastou alguns dos grandes compradores. JT – Qual o historial da participação da sua empresa nesta feira e a sua estratégia neste âmbito? EF – Esta foi a nossa quarta presença na Textilhome, e além disso também participamos na Heimtextil, onde temos um stand com 140m2, na Casatêxtil, na Spring Fair (Birmingham) e através da nossa parceira de Espanha. Estamos ainda presentes noutras feiras, em especial no Médio Oriente e nos países de língua espanhola. JT – Qual o balanço que faz desta feira? Rosa Maria Ferraz (da João Rodrigues & Filho) – Penso que foi importante a nossa presença neste showroom organizado pela Exponor, apesar da feira ter sido um pouco fraca em termos de visitantes, mas ainda assim os nossos contactos foram positivos e achamos que o Brasil é um mercado com muito potencial, apesar das dificuldades em exportar para lá e também por causa dos elevados impostos. JT – Esclareça-nos sobre o passado da vossa empresa neste salão e também sobre o futuro… RF – Foi a nossa terceira presença nesta feira, onde estivemos com uma nova marca, a Kreme, lançada recentemente; os visitantes presentes foram principalmente pequenos revendedores e retalhistas, mas que ainda assim gostaram dos nossos produtos. A nossa empresa está também presente na Casatêxtil e este ano vamos ainda participar pela primeira vez na Ceranor. Aderbal Rodrigues, da mesma empresa, acrescenta que “têm aproveitado estas missões para tentar entrar no difícil mercado brasileiro, e depois de definirmos uma estratégia de abordagem a este mercado, aderimos ao Portugal Trade Show, que esperamos seja uma boa porta de entrada no Brasil; esta presença serviu principalmente para divulgação da nossa nova marca Kreme, que está no mercado desde Março”. JT – Que opinião tem desta Textilhome? Joaquim Silva (Fábrica de Bordados Amelitex) – Penso que foi uma má feira, a começar pela organização, que se comprometeu a atrair e convidar potenciais compradores dos nossos produtos e isso não veio a acontecer. Isto porque apareceram muitos interessados, mas que não podem comprar os nossos produtos, pois as importações no Brasil têm que passar por agentes, além de sofrerem impostos elevados, o que complica muito a exportação de produtos para o Brasil. JT – Foi a primeira vez que a sua empresa participou na Textilhome? JS – Sim, foi a nossa primeira presença nesta feira, mas como não foi muito positiva. De momento não temos prevista mais nenhuma participação em feiras, estando actualmente a ponderar a exportação de produtos para o Brasil. JT – Que balanço faz desta feira? Fernando Miller (da Reinatex) – É uma feira muito pequena, com poucos expositores e poucos clientes e visitantes, apesar de no nosso caso até termos realizado alguns negócios e do esforço que a AEP fez para promover este salão. JT – Qual a estratégia da sua empresa face ao mercado brasileiro? FM – A nossa empresa já opera no mercado brasileiro há um ano e meio, e desde o início contamos com um representante lá. JT – Então não partilha da opinião de outras empresas que apontam enormes barreiras e dificuldades na exportação para o Brasil?… FM – A maior falha das empresas portuguesas é fazerem a taxação dos produtos e a negociação em dólares, o que prejudica igualmente a venda e implantação dos nossos produtos, ao passo que nós fizemos logo inicialmente a conversão para reais; a grande dificuldade de exportar para o Brasil é a pesada carga fiscal sobre os nossos produtos, encarecendo-os em cerca de 80%, o que dificulta muito a sua venda. JT – Como encara a participação em feiras deste género? FM – A nossa empresa está presente em todas as grandes feiras nacionais, como a Ceranor, Ceramex, Gift, Casatêxtil, Interiores e Interdecoração, além de participarmos igualmente na Maison&Objet (Paris), Intergift Madrid, Feira do Móvel de Madrid, Textilhogar (Valência) e no Salão de Nova Iorque, pois achamos que esta presença é um bom investimento. JT – Que balanço faz desta edição da Textilhome? Sílvia Correia (Lameirinho) – A feira Textilhome em São Paulo é uma feira com potencial para crescimento no seu sector. Os visitantes distribuem-se sobretudo por lojistas e possíveis representantes. Por não ser uma feira exclusiva dos têxteis-lar, podemos encontrar outros expositores com outro tipo de produto e dirigidos a outros segmentos de mercado. Na nossa análise à feira, sentimos falta dos ‘grandes’ da indústria têxtil-lar brasileira, os quais teriam dado outra dimensão à feira e concerteza trazido mais movimento à mesma. JT – Que balanço faz da presença da Lameirinho na Textilhome? SC – A decisão de participação da Lameirinho nesta edição da Textilhome Brasil foi uma consequência de uma estratégia comercial de abordagem a este mercado (inserido num mercado chamado América Latina). O Brasil sempre foi um mercado apetecível, mas com conjunturas sempre um pouco adversas nestes últimos 5 anos; no entanto, o seu enorme potencial nunca foi descurado e a Lameirinho manteve sempre uma atenção especial para o mesmo. A nossa presença na feira foi sobretudo numa perspectiva de auscultação do mercado e ‘medição do pulso’ aos gostos dos consumidores, lojistas e outros agentes económicos. Nesse sentido, foram estabelecidos contactos que estamos a analisar e a ponderar dentro de uma estratégia comercial a implantar a curto e médio prazo. JT – Qual a estratégia da sua empresa relativamente à presença em feiras e salões no futuro? SC – A Lameirinho expõe em duas feiras com regularidade anual e há já muitos anos: a Heimtextil 2002 (Alemanha) e a Casatêxtil (Portugal). No entanto, dadas as novas abordagens a certos mercados, tem existido a necessidade de estarmos presentes em outras feiras, como por exemplo em 2001/2002 estivemos em: Buda