Textile Exchange pede o fim da utilização de fibras virgens sintéticas

A associação não-governamental está a colocar como desafio à indústria têxtil e de vestuário deixar de usar sintéticos virgens à base de petroquímicos, ou reciclados de garrafas PET, até ao ano de 2030.

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No estudo The Future of Synthetics, a Textile Exchange pede à indústria para desinvestir de fibras que promovem a extração de combustíveis fósseis e invista em tecnologias que permitam a produção de fibras alternativas.

Segundo a associação, as matérias-primas sintéticas dominaram a produção mundial de fibras desde meados da década de 90, com o poliéster a contribuir para a maior quantidade de emissões de gases com efeito de estufa em 2022 em comparação com as restantes fibras, sendo que as 47 milhões de toneladas de fibra de poliéster produzidas nesse ano terão sido responsáveis por emissões estimadas de 125 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Contudo, refere, uma mudança completa de sintéticos para matérias-primas produzidas no solo – sobretudo às atuais taxas de produção – pode levar a uma dependência excessiva e ao esgotamento dos ecossistemas naturais. Além disso, acrescenta, a indústria tem de encontrar formas de dar uma nova vida aos atuais resíduos têxteis sintéticos.

«A indústria deve assumir responsabilidade pelos resíduos têxteis que criou e deve fazer a sua parte a construir um sistema verdadeiramente circular para o futuro», afirma Beth Jensen, diretora sénior de impacto no clima e na indústria da Textile Exchange.

«Reconhecendo estas realidades, a Textile Exchange advoga uma abordagem dupla: identificar e investir em formas alternativas para criar materiais sintéticos usando recursos renováveis reciclados ou aprovisionados de forma sustentável, e, ao mesmo tempo, reduzir, no geral, o volume de novos materiais produzidos», aponta.

De fora está, contudo, a reciclagem mecânica de garrafas de PET, atualmente a alternativa mais comum ao poliéster virgem. «A indústria deve investir em escalar as tecnologias de reciclagem da fibra à fibra para os sintéticos para criar um verdadeiro sistema de círculo fechado, em vez de depender de matérias de outra indústria», aponta.

O estudo salienta ainda oportunidades emergentes associadas com biossintéticos e tecnologias de captação de carbono e o seu potencial para ajudar as marcas a desinvestir da extração de combustíveis fósseis.