Têxtil do Cávado em crise

As pequenas e médias empresas que “vivem de uma disponibilidade de crédito que os bancos estão a retirar, provocando o estrangulamento das empresas” poderão não voltar a abrir depois das férias de Setembro, afirma e Miguel Gomes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Barcelos ao jornal Público. Das 3355 empresas existentes na região, “uma fatia importante terá dificuldades de sobrevivência a curto prazo, caso a banca não tenha outra política de crédito”. A economia do Vale do Cávado está assente no sector têxtil, que caso venha a sofrer com esta situação, irá arrastar os restantes sectores como o comércio ou a construção civil, que já passam por tempos difíceis. Muitas empresas vivem com o dinheiro da banca, caso as restrições ao crédito se mantenham, as empresas deixam de ter capital tanto para mão-de-obra como para matérias primas, ou até mesmo para adquirir serviços. Miguel Gomes, culpa ainda a concorrência do Leste, África e Ásia, por vender mão-de-obra mais barata, tornando as margens de lucro muito baixas e fazendo com que se “trabalhe com muitos riscos. E para muitos, só com o apoio da banca, é possível manter as portas abertas”, explica. Esta atitude por parte da banca dá-se como consequência da recessão pela qual o sector está a passar, não criando a confiança necessária para ao investimento. Na opinião dos empresários do Vale do Cávado a entrada da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no sector, “com apoios bem definidos, poderia ser um contributo importante para debelar as dificuldades que os empresários estão a sentir”. Segundo os mesmos, a CGD pertence ao Estado, e desse modo “tem alguma obrigação em contribuir para superar problemas económicos do país”. Uma outra preocupação que afecta a estrutura empresarial é o desemprego na indústria têxtil. No espaço de um ano passou-se de falta de mão-de-obra, para excesso de mão-de-obra e o desemprego começa a ser uma realidade. Esta situação causa especial preocupação dado o elevado número de agregados familiares que dependem integralmente do sector. Infelizmente a indústria têxtil no Vale do Cávado, considerada o maior centro malheiro do país, tem vindo a degradar-se. Durante a época de 80 teve um crescimento espantoso. Os anos 90 as empresas que souberam adaptar-se ao mercado permaneceram operantes. Mas, nos últimos cinco anos, foram mais de mil trabalhadores que ficaram no desemprego com o encerramento de apenas quatro empresas na zona de Barcelos. Já desde os anos 90 que as empresa tem vindo a reduzir o número de efectivos. Dois bons exemplos são a Tebe e a Barcelense. A Tebe, que já empregou mais de mil trabalhadores, neste momento tem cerca de 500. A reconversão e deslocação da Barcelense é outro exemplo de diminuição dos efectivos, já empregou 500 trabalhadores, contando hoje apenas com 200.