Têxtil aguenta queda do vestuário

A ITV nacional registou em 2001 um crescimento de 0,1% do volume de negócios, cerca de 1,5 p.p. inferior ao acréscimo verificado em 2000. Contudo, apesar da contínua perda de peso relativo no total da indústria transformadora, é visível que em 2001 esse decréscimo não é tão acentuado ao verificado no ano anterior. Este cenário resulta do facto do aumento da facturação na indústria transformadora ter ficado aquém do atingido no ano transacto, tendo-se essa diferença fixado em 7,6 p.p. Desagregando a análise da ITV nos dois sectores que a constituem, denota-se que o têxtil esteve na origem desta evolução, uma vez que teve um acréscimo de 2,5%, contrapondo-se a contínua queda da facturação do vestuário, que diminuiu, em 2001, 5,5%. Esta variação oposta do têxtil e vestuário já é visível desde 1999, uma vez que entre este ano e 2001, o volume de negócios no têxtil cresceu 6,5%, enquanto que no vestuário decresceu 8,6%. Ao longo do ano, a ITV registou uma evolução relativamente sustentada até ao último trimestre, uma vez que nos três últimos meses do ano a variação homóloga atingiu patamares negativos, decrescendo 4,1%. Este cenário ficou a dever-se ao facto de no têxtil a variação homóloga ter sido ligeiramente negativa e, sobretudo, porque no vestuário assistiu-se a um decréscimo homólogo de 13,3%, valor mais baixo dos últimos dois anos. Os dados disponíveis permitem concluir que a evolução da percepção qualitativa da indústria têxtil e do vestuário terá sofrido um revés face ao ano anterior, que não poderá estar dissociado da instabilidade internacional e do clima de incerteza reinante nas principais economias mundiais. Apesar dos resultados dos inquéritos de conjuntura serem mais favoráveis no sector do vestuário do que no sector têxtil, este último conseguiu, durante o ano de 2001, apresentar resultados quantitativos mais positivos. Refira-se que esta situação já se observava no ano transacto, período no qual o comportamento das variáveis qualitativas e quantitativas apresentavam alguma disparidade quando se confrontava o sector têxtil e o de vestuário. Todavia, é notório que no último trimestre de 2001 assistiu-se a uma maior aproximação do têxtil, tendo recuperado da forte queda que apresentou no primeiro semestre. É contudo de referir que, em ambos os sectores, os indicadores de sentimento situaram-se ao longo do ano em níveis inferiores aos registados em 2000, ano que se caracterizou por uma inversão da tendência de queda do volume de negócios, a qual tinha decorrido durante 1999. A generalidade das variáveis analisadas segue a tendência dos indicadores de confiança. Todavia, a carteira de encomendas global e a produção prevista são as rubricas que de uma forma mais aproximada traduzem o comportamento evidenciado pelos indicadores de confiança, uma vez que também estes registaram, em relação ao têxtil, uma queda acentuada no primeiro semestre e que foi parcialmente recuperada no último trimestre do ano, enquanto que no vestuário o decréscimo não foi tão abrupto mas manteve-se sustentado ao longo de 2001. A procura interna penalizou de forma equitativa o sector têxtil e de vestuário, todavia quando a leitura se estende para o exterior, é visível uma menor confiança na evolução da procura externa relativamente aos artigos de vestuário, que é corroborado pelos dados do comércio internacional, que têm implícito um acréscimo das exportações têxteis a ritmos superiores às de vestuário. Outro factor a destacar é a evolução positiva, principalmente no segundo semestre, dos stocks de produtos acabados. As opiniões dos empresários são convergentes, ao registar-se uma diminuição dos seus níveis, mantendo-se contudo stocks de produtos acabados mais elevados no sector têxtil do que no de vestuário, à semelhança daquilo que vem sucedendo nos anos mais recentes. No que respeita aos preços praticados, nomeadamente no sector têxtil, assistiu-se, no ano em análise, a uma importante inversão da tendência registada em 2000 e que se traduziu por uma menor capacidade do sector têxtil em transmitir aumentos de custos aos seus clientes. O índice CENESTAP/ITV é sintomático na avaliação do sentimento reinante na ITV nacional ao longo de 2001. Este índice, que visa avaliar a evolução da conjuntura do sector, agregando um conjunto alargado de indicadores mensais, registou um valor médio em 2001 inferior em 17,3% ao registado em 2000, o que comprova uma conjuntura menos favorável ao longo do ano 2001. É de salientar que esta evolução da situação conjuntural foi alvo duma ligeira melhoria no último trimestre, após o índice registar, no terceiro trimestre, o valor mais baixo do ano. Links para notícias relacionadas: Portugal cresce, Espanha dispara, França recua ITV aumenta volume de produção O empurrão dos têxteis técnicos Margens sustentam crescimento Rentabilidade não acompanha aumento das vendas