Têxteis técnicos limpam o oceano

Investigadores desenvolveram um novo método capaz de remover da superfície da água cerca de 100 metros quadrados de um derrame de petróleo em apenas uma hora.

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Os investigadores do Institut für Textiltechnik (ITA) da RWTH Aachen University e da Universidade de Bona, em conjunto com a empresa Heimbach, desenvolveram um tecido técnico espaçador que é integrado num contentor flutuante. Um pequeno sistema consegue remover até quatro litros de gasóleo numa hora, o que corresponde a cerca de 100 metros quadrados de derrame numa superfície aquática.

«Apesar da expansão consistente das energias renováveis, a produção mundial de petróleo, o consumo de petróleo e o risco de poluição aumentaram constantemente nas últimas duas décadas. Em 2022, a produção mundial de petróleo atingiu 4,4 mil milhões de toneladas. Ocorrem muitas vezes acidentes durante a extração, transporte e uso de petróleo, que prejudica os humanos e resulta em poluição ambiental séria e por vezes irreversível», contextualiza um comunicado do ITA.

[©Universität Bonn-W. Barthlott-M. Mail]
O desenvolvimento, batizado Bionic Oil Adsorber (BOA), foi feito tendo por base a observação de cerca de 20 mil espécies de organismos vivos, alguns dos quais se destacam pela excelente capacidade de absorção de petróleo, como acontece com as folhas de um feto aquático, Salvinia molesta, que absorve petróleo, separa-o da superfície da água e transporta-o para a sua superfície.

A equipa de investigadores conseguiu transferir este mesmo efeito para têxteis técnicos, tendo resultado num tecido espaçador super hidrofóbico que pode ser produzido industrialmente e, como tal, é facilmente escalável. O petróleo é separado da água pelas propriedades da superfície do têxtil e transportado através de forças capilares pelo tecido, mesmo em sentido contrário ao da gravidade. Quando chega ao fim do têxtil, ao contentor de recolha, simplesmente cai no dispositivo sem qualquer influência que não o da força da gravidade.

[©ITA]
Em comparação com os não-tecidos habitualmente usados como absorventes de petróleo, os investigadores calculam que pode ser entre cinco e 13 vezes mais barato graças à quantidade de petróleo que consegue remover em pouco tempo.

«A tecnologia é surpreendentemente eficiente e sustentável para a separação autocontrolada e recolha automática de filmes de petróleo, incluindo a sua completa remoção da água», aponta o comunicado do ITA. «O BOA pode ser usado para aplicação em águas abertas, mas também para águas interiores», acrescenta.

O mesmo têxtil pode ainda ser usado em vários outros processos e está atualmente a ser desenvolvido, prevendo-se a sua chegada ao mercado em dois a três anos.