Têxteis sintéticos estão a poluir África

A acusação é feita pela Greenpeace Germany e a Greenpeace Africa, que após um estudo concluíram que os têxteis exportados para países africanos como o Gana são uma fonte significativa de poluição por plásticos.

[©Greenpeace-Paul Lovis Wagner]

A Greenpeace recolheu, numa semana, 4,6 milhões de toneladas de vestuário usado, equivalente a cerca de 19 mil peças, que tinham sido enviadas para o Gana, mas que os investigadores da organização ambientalista afirmam que, se não tivessem sido recolhidas, teriam acabado no lixo.

As peças foram transportadas para Hamburgo e analisadas com recurso a tecnologia de infravermelhos, que concluiu que mais de 96% tinham sido produzidas com fibras sintéticas, o que mostra, segundo as organizações, o papel dos têxteis na poluição por plásticos.

A 5 de fevereiro, no início da Semana de Moda de Berlim, que termina hoje, 10 ativistas da Greenpeace fizeram um protesto com uma montanha de resíduos têxteis, provenientes do mercado de Kantamanto em Acra, no Gana, de 3,5 metros de altura e 12 metros de largura em frente à Porta de Brandemburgo, com um cartaz onde se podia ler “Fast Fashion: roupa faz lixo”.

[©Greenpeace]
O Gana é o segundo maior importador mundial de vestuário usado, o que se tem traduzido num problema ambiental cada vez maior. Há, inclusivamente, grandes áreas que estão a ser usadas como aterros ao ar livre, poluindo o solo e os cursos de água. O facto de serem sobretudo têxteis sintéticos, que libertam microplásticos, agrava a situação.

«A nossa roupa tornou-se um artigo descartável por causa da indústria da fast fashion. Não é reciclada, simplesmente é enviada para o Gana ou para outros países», afirma, em comunicado, Viola Wohlgemuth, especialista em proteção de recursos na Greenpeace. Sublinhando a poluição causada por este tipo de resíduos, nomeadamente ao nível dos microplásticos, Viola Wohlgemuth salienta que «a indústria têxtil deve ser responsabilizada pelos seus resíduos e deixar de produzir vestuário com plástico».

De acordo com o Parlamento Europeu, todos os anos chegam aos oceanos 500 mil toneladas de microplásticos através de têxteis sintéticos, o que representa 35% do total.

[©Greenpeace]
Para a Greenpeace, o excesso de produção da fast fashion está a causar montanhas cada vez maiores de resíduos, com consequências devastadoras pata o ambiente. «Produzir, comprar, deitar fora – este modelo desastroso de moda descartável nunca será sustentável. Precisamos de uma mudança de fundo. Modelos de negócio circulares, como aluguer, segunda-mão, reparação e upcycling, devem tornar-se o novo normal», indica Viola Wohlgemuth.

A Greenpeace refere as negociações que estão a ser feitas pela União Europeia para a responsabilidade alargada do produtor, que se baseia no princípio do poluidor-pagador, mas considera «as propostas atuais muito fracas. As empresas devem ser responsáveis por prevenir danos e eliminar os prejuízos ambientais e para a saúde em toda a cadeia de aprovisionamento».