Têxteis portugueses intensificam aposta no mercado brasileiro

O sector têxtil nacional está a olhar cada vez mais para o Brasil como parceiro comercial e como possível destino para a instalação de unidades de produção. De acordo com o noticiado pelo Diário Económico (DE), casos como o da Somelos e da Pizarro, com presença industrial estabelecida naquele país e com plano para aumentar os investimentos, são exemplos do renovado interesse no Brasil. No entanto, o sector da distribuição é o que parece atrair mais os investidores portugueses, como as empresas SIL Investimentos Imobiliários e a Sercadi, que vão investir 2,1 milhões de euros num pólo têxtil no Estado do Ceará. A Riopele, que já tem alguns anos de experiência no mercado brasileiro da distribuição, com as lojas do Club Chocolate, acredita no potencial do mercado principalmente devido à sua «dimensão», explicou ao DE José Alexandre Oliveira, presidente da emblemática têxtil de Famalicão. Paulo Vaz, director-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) é da mesma opinião, frisando que no Brasil «há uma grande apetência para produtos de luxo europeus». Apesar das dificuldades económicas do país, cerca de 30 milhões de consumidores (20% da população) tem um elevado poder de compra. Paulo Vaz dá o exemplo de uma megastore de produtos de luxo que está a fazer sucesso em São Paulo para justificar o interesse crescente que desperta o Brasil. Apesar de tudo, o país apresenta várias desvantagens, principalmente no que diz respeito às importações. Pesadas tarifas aduaneiras e um processo de certificação demasiado longo complicam as exportações portuguesas para o Brasil. Em 2004, as vendas de têxteis nacionais para aquele país ficavam-se pelos 3,9 milhões de euros, ou seja, menos de 1% de todas as exportações têxteis nacionais. As empresas tentam colmatar essa falha com a produção no país, incentivada por generosos benefícios fiscais e apoios de todos os tipos para a instalação de unidades industriais no país. Para a Somelos e a Pizarro a estratégia parece estar a resultar. A isto junta-se a vantagem da mão-de-obra barata e dos preços baixos. Vantagens e desvantagens Vantagens: o mercado brasileiro tem um potencial de 180 milhões de consumidores, dos quais 30 milhões apresentam um elevado poder de compra e uma enorme apetência por produtos de luxo. No que diz respeito à produção, a mão-de-obra barata, aliada aos benefícios fiscais e de outro tipo oferecidos pelas autoridades brasileiras, atraem os investidores portugueses. Desvantagens: entre os principais problemas, o pior será talvez o agressivo proteccionismo praticado pelas autoridades brasileiras: pesadas tarifas aduaneiras, complicações e demoras na entrada dos produtos no mercado fazem atrasar as encomendas. A corrupção também é um factor que desencoraja o investimento português. Do lado da produção, as questões mais negativas prendem-se com a baixa produtividade e com problemas quanto à qualidade dos produtos fabricados nas unidades brasileiras. Nas regiões de excelência (S. Paulo e Rio Grande do Sul) a produção não é competitiva.