Têxteis Penedo põe cortiça no Spa

A empresa, que, apesar de sentir o arrefecimento da procura, continua a investir em inovação, usou os desenvolvimentos do Cork-a-Tex para fazer uma toalha com dupla face, que é ao mesmo tempo absorvente e exfoliante.

Xavier Leite

As toalhas fazem parte das novidades que a Têxteis Penedo apresentou na última edição da Heimtextil. «O conceito foi criado a pensar no mercado hoteleiro, para Spa’s de luxo», revela Xavier Leite, presidente da empresa. Contudo, assume, «o uso doméstico também é ótimo – eu próprio estou a utilizá-lo para poder aferir da qualidade do produto e dá uma sensação muito agradável, com absorção e uma espécie de exfoliação ligeira. Por mim está aprovado e estou convencido que o consumidor em geral vai gostar». Uma avaliação positiva que foi confirmada «por um cliente italiano, que vai querer», indica Xavier Leite, e pelos iTechStyle Awards, para os quais foi selecionada na semana passada.

Além desta inovação, a empresa fez um upgrade à coleção com fio de cortiça que estreou em 2022. «É a primeira vez que se consegue apresentar produto construído com teia e trama. No início, era só trama. Agora, conseguimos já um upgrade para fazer composição teia e trama», explica, ao Portugal Têxtil, o presidente da Têxteis Penedo.

A Escandinávia é, atualmente, o melhor mercado para esta coleção com cortiça, que está a alargar-se, a pouco e pouco, a novas geografias. «Já alastrou para a Coreia do Sul. Está a começar a entrar nos mercados aos poucos, até porque é um produto novo, nada conhecido. Agora começamos a ser conhecidos e cada vez está a haver mais apetência», refere Xavier Leite, que assume que o produto com fio de cortiça pode crescer ainda mais e em diferentes segmentos. «Estamos à espera que apareça uma ou duas grandes marcas de moda, nomeadamente de moda desportiva, que lancem o produto, o que está para acontecer», antecipa, adiantando que entre os produtos estão ténis e outros artigos de moda. «Esperamos que aconteça ainda este ano de 2024. Se isso acontecer, vai revolucionar totalmente em termos de mercado, vai dar conhecimento do novo produto a nível global, porque estamos a falar de marcas sonantes», acrescenta.

As perspetivas para o desenvolvimento do Cork-a-Tex – o fio desenvolvido em parceria com a Sedacor com 80% algodão e 20% de cortiça – são, por isso, positivas. Já o mesmo não se pode dizer em absoluto do ano passado. «Não correu bem», resume Xavier Leite, que dá conta de um decréscimo das vendas na ordem dos 30%, para 9,5 milhões de euros, provocado por uma redução generalizada da procura. «Exportamos 100% da nossa produção e em todos os mercados caímos. Não caímos por inércia da nossa parte, mas porque o consumo global desacelerou substancialmente», aponta o presidente da Têxteis Penedo.

Investimentos prosseguem

Os investimentos estão mais comedidos, mas não parados. «Desaceleramos um bocadinho, mas continuamos a investir», garante Xavier Leite, que avança que «neste e no próximo ano, temos uma previsão de investir mais de 2 milhões de euros em nova maquinaria e na substituição de máquinas mais antigas», nomeadamente na confeção. A Têxteis Penedo tem igualmente vindo a apostar na digitalização. «Diria que seguimos as pegadas de toda a gente, tentando estar o mais evoluídos possível nesse aspeto – e já estamos bastante avançados. Claro que, em termos de robotização, ainda existem limites inultrapassáveis neste momento, na fase, por exemplo, da produção. Na tecelagem em jacquard ainda não há visão artificial suficiente», exemplifica.

A inovação constante, de resto, faz parte da estratégia da empresa, que emprega 100 pessoas. «Não abdicamos e procuramos estar sempre um passo à frente na procura de novas ideias, novos conceitos e novas soluções», refere Xavier Leite, que aponta a sustentabilidade, nomeadamente ao nível das matérias-primas, como um dos focos de desenvolvimento na atualidade.

Já quanto a este ano, o início «está a seguir a tendência» de 2023. «Sou otimista por natureza, mas também sou realista. A verdade obriga-me a dizer que não se vê nada que permita dizer que já estamos num ciclo diferente. Estamos na mesma linha», confessa Xavier Leite.

Os desafios são também semelhantes aos 12 meses de 2023, nomeadamente a subida dos custos. «Os custos energéticos estão a aumentar substancialmente. Os salários não podemos pôr em causa, porque é uma situação natural para compensar a inflação. Mas depois temos as guerras. Se isto tudo se mantiver no nível em que está, as pessoas, não especificamente as portuguesas, mas na globalidade, vão-se habituando e vão-se acomodando às situações e, depois, voltam a acreditar que existe futuro para além disso», acredita o presidente da empresa, que coloca como principal desafio, «acima de tudo, recuperar o nível de vendas que se perdeu».