Têxteis-lar em queda

Depois de anos extraordinários durante a pandemia, a indústria de têxteis-lar está a registar quedas significativas nas exportações, mas há sinais de recuperação em alguns mercados.

Em 2022, Portugal foi o segundo maior exportador de têxteis-lar, de acordo com os dados do ITC – International Trade Centre analisados pelo CENIT, com um valor exportado de 721,63 milhões de euros, apenas atrás da Alemanha, que exportou no ano passado 1,25 mil milhões de euros.

Entre 2015 e 2022, as exportações de têxteis-lar – incluindo-se, aqui, as categorias de exportação 6301 a 6304, correspondentes a cobertores e mantas, roupa de cama, mesa, toucador ou cozinha, cortinados, cortinas, reposteiros e estores e outros artigos para guarnição de interiores – registaram um crescimento de 28,5%.

Os números para este ano, contudo, são menos positivos. Entre janeiro e julho de 2023, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), foram exportados artigos no valor de 350,77 milhões de euros, o que corresponde a uma queda face ao mesmo período de 2022, quando foram exportados 447,61 milhões de euros. Em volume, foram exportados 26,38 milhões de quilos nos primeiros sete meses do ano, em comparação com 33,79 milhões de quilos entre janeiro e julho de 2022. Tanto em valor como em quantidade, a queda é de aproximadamente 22%.

Tendo em conta os números mensais, depois do valor mais baixo das exportações em abril deste ano – à volta dos 38 milhões de euros, equivalentes a 2.929 toneladas – a rota até julho é crescente, com as exportações de têxteis-lar nesse mês a atingirem 57 milhões de euros e 4.362 toneladas. Ainda assim, valores longe dos 60 milhões de euros de julho de 2019 e dos 73 milhões de euros de julho de 2022.

Análise do CENIT com base nos dados do INE (dados incluem posições 6301 a 6304)

Mercados a diferentes ritmos

Analisando por mercado, os números mostram realidades distintas. O mercado americano – o principal mercado de exportação de têxteis-lar made in Portugal – importou mais 77,9% de têxteis-lar portugueses em 2022 face a 2015, num total de 177,27 milhões de euros, o que torna Portugal no sexto país fornecedor deste tipo de artigo nos EUA. Segundo o ITC, a quota portuguesa no mercado manteve-se em 0,6% nos primeiros sete meses do ano, igual à registada em igual período do ano passado.

Portugal ocupa o mesmo sexto lugar nas importações francesas de têxteis-lar, mas o cenário é distinto, já que houve apenas um crescimento de 1,8% em 2022 face a 2015, sendo que o país aumentou as suas compras internacionais deste tipo de produto em 39,7%. Nos primeiros sete meses deste ano, os franceses importaram menos 13,6% de têxteis-lar portugueses, fazendo com que a quota de mercado tenha diminuído para 5,3% em comparação com os 5,6% registados entre janeiro e julho de 2022.

Em Espanha, a perda de quota de mercado é evidente, com as importações a partir de Portugal deste tipo de artigo a passarem de 102,67 milhões de euros em 2015 – valor que atingiu 107,3 milhões de euros no ano seguinte – para 94,3 milhões de euros em 2022. Mesmo antes da pandemia, em 2019, as importações de têxteis-lar lusos atingiram apenas 48,36 milhões de euros. Ainda assim, Portugal é o terceiro maior fornecedor de têxteis-lar para Espanha, a seguir ao Paquistão e à China. A queda continua este ano, com o país a comprar, nos primeiros sete meses de 2023, menos 4,3% a Portugal, mas em termos de quota de mercado há uma recuperação, passando para 13,2%, em comparação com 13% em igual período do ano passado.

No Reino Unido, os têxteis-lar nacionais mantiveram, entre janeiro e julho deste ano, a mesma quota (1,8%), mas nas comparações com 2015, houve uma clara descida, devido à queda de 20,7% nas importações britânicas deste tipo de artigo entre 2015 e 2022. No ano passado, as empresas nacionais venderam, segundo o ITC, 49,7 milhões de euros de têxteis-lar para o Reino Unido, em comparação com 62,68 milhões de euros sete anos antes. O valor, contudo, representa uma subida face não só ao ano precedente, mas também em comparação com os anos antes da pandemia – em 2018 e 2019, o Reino Unido importou menos de 41,5 milhões de euros de têxteis-lar provenientes de Portugal.

Já na Alemanha, Portugal é o 10.º fornecedor de têxteis-lar e, apesar de ter aumentado os envios em 30% em 2022 face a 2015 e 7,2% em comparação com 2019, a verdade é que os 32,42 milhões de euros exportados no ano passado correspondem a uma descida de 19% face a 2021. Já nos primeiros sete meses deste ano, há uma queda considerável das exportações face a igual período do ano passado -17,2%), mas o país mantém a mesma quota de mercado (1,2%).

Os dados das exportações de têxteis-lar disponíveis no INE mostram também que o valor médio por quilo exportado por Portugal se manteve praticamente inalterado nos primeiros sete meses do ano, em cerca de 13,3 euros por quilo, em comparação com o período homólogo de 2022 (13,5 euros por quilo).

Os dados do Eurostat, por seu lado, mostram uma forte inflação nos principais mercados de exportação de têxteis-lar nos sete meses até julho, com exceção de Espanha, onde os preços ao consumidor têm vindo em rota descendente desde fevereiro.