Têxteis & Futebol

O 18º torneio na história do Mundial de Futebol da FIFA decorrerá entre 9 de Junho e 9 de Julho, com o jogo de abertura entre o país anfitrião, a Alemanha, e a Costa Rica a ser disputado em Munique e o encontro entre os dois finalistas para a conquista da taça será jogado em Berlim um mês depois. À semelhança dos Jogos Olímpicos, o Mundial de Futebol obriga o país anfitrião a avultados investimentos em programas de modernização, e até a Alemanha, que é já um dos países mais avançados em termos de infra-estruturas, não foi excepção à regra. Líder no desenvolvimento de têxteis para arquitectura, a Alemanha não deixou créditos por mãos alheias, e tal pode ser devidamente apreciado nos 12 estádios que acolhem esta maratona futebolística, com especial relevo para o novo recinto de Munique e o renovado Estádio Olímpico de Berlim. Este último, para sempre associado aos Jogos Olímpicos de 1936 onde o negro americano Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro, encetou a sua transformação no Verão de 2000, que terminou em 2004, e custou a “módica” quantia de 240 milhões de euros. O novo tecto – que custou 26 milhões de euros – é constituído por dois sistemas de membranas medindo cada um 31 mil metros quadrados. As brancas e translúcidas membranas de PTFE (politetrafluoretileno)/fibra de vidro apresentam menos de um milímetro de espessura e uma densidade de 1.100. O material é extremamente resistente à rotura, impermeável e anti-UV. Membranas similares tinham já sido aplicadas no Aeroporto de Munique em 1998 e no Pusan Dome na Coreia em 2001. As secções individuais da membrana medem entre 370 e 430 metros quadrados, pesando cada uma cerca de 600 kg e cobrindo aproximadamente 800 lugares. A membrana têxtil estirada sobre a face interior da estrutura dissimula a iluminação do estádio e o sistema de orientação do público sem prejudicar as suas funções. Esta nova membrana de cobertura – que deliberadamente contrasta com a sólida estrutura do histórico estádio – é sustentada por uma estrutura de aço. A instalação do tecto valeu à sua autora, a Hightex GmbH, um prémio atribuído pela IFAI (Industrial Fabrics Association International – Associação Internacional de Tecidos Industriais). Também os espectadores que ocuparem os milhares de lugares do estádio de Munique vão ficar boquiabertos com o novo estádio Allianz, completamente coberto por uma estrutura de membranas com 2.874 losangos. Esta dupla camada de membranas de ETFE (etileno tetrafluoretileno) é branca e transparente no interior e estampada e revistada no exterior. O Allianz, casa dos clubes Bayern de Munique e TSV Munique 1860, muda completamente de cor como um ecrã LED gigante dependendo do lado em que joga a equipa da casa. Cada um dos 1.058 painéis exteriores pode adquirir as tonalidades azul claro ou azul-escuro, vermelho ou branco, por incandescência ou pulsação. Infinitos padrões em cascata de diamantes e riscas são também possíveis e os golos e outros momentos fortes do jogo podem ser celebrados com “luzes”. Para obter estes efeitos, a empresa responsável pelo projecto utilizou luzes fluorescentes convencionais em conjunto com painéis de cobertura perspex que funcionam como filtro. O efeito de diferentes tons azuis e vermelhos actuando na membrana foi explorado localmente até que as cores dos 2 clubes locais fossem fielmente reproduzidas com uma mistura de grânulos de perspex. A membrana de EFTE utilizada pesa cerca de 80 toneladas e é de material reciclável. Para além do seu reduzido peso, é ainda resistente ao fogo e à radiação ultravioleta. Para evitar qualquer possível acto de vandalismo (o material apresenta uma espessura de apenas 0,2 mm) a extremidade inferior da estrutura que sustém a membrana encontra-se 4 metros acima do solo.