Têxteis em rodagem

Quem visitou o Fórum Têxteis do Futuro, realizado sob a égide do Citeve no âmbito do Modtissimo nos passados dias 11 e 12, teve direito a uma elucidativa “lição” sobre a panóplia de aplicações têxteis no sector automóvel. Em particular, ficámos a saber que: um automóvel familiar consome de 12 a 14 kg de materiais têxteis; a União Europeia produz anualmente cerca de 15 milhões de automóveis e, em 2000, produziram-se em todo o mundo perto de 38 milhões, o que representa um consumo aproximado de 500 000 toneladas de materiais têxteis; as fibras mais utilizadas são o Poliéster, a Poliamida 6.6 e o Polipropileno e seriam necessários 12 fatos ou 100 t-shirts para “vestir” um só automóvel.

 

«Apesar do tema central deste Fórum ter sido o Euro 2004, a demonstração das potencialidades e diversidade do uso de têxteis no sector automóvel permitiu-nos efectuar um leque de contactos bastante interessante entre empresas que pretendem operar nesta área», revela Fernando Merino, director do departamento de Têxteis Técnicos e Funcionais do Citeve, ao Jornal Têxtil.

 

Com efeito, os materiais têxteis são usados numa miríade de soluções automobilísticas – habitáculo (air-bags, cintos de segurança, filtros, etc), bagageira (revestimento), carroçaria (isolamentos acústicos), motorização (separadores de bateria, cobertura do capot e filtros) pneus (telas pneumáticas), suspensão (filtro de óleo da suspensão) e direcção (filtro de óleo da direcção assistida e dos travões) – onde desempenham as mais variadas funções, desde a segurança até ao conforto, passando pela mera função decorativa. 

 

Segundo o Citeve, as futuras evoluções centrar-se-ão nomeadamente no domínio das técnicas de fabricação de não-tecidos, de malhas de teia, de indução e laminagem de estruturas e das técnicas de fabricação de compósitos e de injecção de polímeros sobre têxteis e pré-formas têxteis, no isolamento sonoro e no desenvolvimento de materiais compósitos mais leves e do conceito de material único, biodegradável e facilmente desmontável. Neste contexto, refira-se que a directiva 2000/53/EG já exige que 75% do peso médio de um automóvel seja composto por material reciclável. Até ao início de 2006 esta percentagem deverá subir para 85% e a 1 de Janeiro de 2015 deverá já representar 95%.