O governo do Uzbequistão implementou uma série de incentivos para tentar atrair o investimento estrangeiro ao seu sector têxtil, com o objectivo de melhorar o processamento da fibra de algodão e aumentar a produção de artigos têxteis acabados. Este país, localizado no coração da Ásia Central, tornou-se independente da União Soviética em 1991. Apesar dos seus 26 milhões de habitantes, a maioria dos quais muçulmanos, terem sofrido os normais problemas de transição, o Uzbequistão exibe o crescimento mais elevado do produto interno bruto de todos os países da CIS (Commomwealth of Independent States) no período que se estende de 1991 a 2004. O crescimento do PIB foi de 7,7 por cento em 2004 e de 7,2 por cento no primeiro semestre de 2005.
O elevado grau de formação da população (oficialmente de 99,4 por cento), os recursos naturais do país (algodão, gás e petróleo) e a determinação governamental de construir uma economia de mercado com orientação social estão a atrair o investimento estrangeiro. Em 2004, o investimento estrangeiro directo representou 24,5 por cento do investimento total do país. No entanto, de acordo com o governo do Uzbequistão, o actual investimento estrangeiro é ainda muito baixo. Para além disto, grande parte dele está centralizado na produção de artigos com pouco valor acrescido. No início do corrente mês, uma delegação do Uzbequistão visitou Bruxelas para tentar suscitar interesse pelo seu país entre investidores belgas e europeus. Entre 2005 e 2007, o Uzbequistão pretende atrair 2,73 mil milhões de dólares de investimento estrangeiro para aplicar em 423 projectos. O sector têxtil deverá atrair 788,1 milhões de dólares para um total de 99 projectos, sobretudo para melhorar o processamento da fibra de algodão e aumentar a produção de artigos têxteis acabados. Vyacheslav Golishev, primeiro-ministro e ministro da economia do Uzbequistão, salientou em Bruxelas o potencial subexplorado do seu país como produtor de algodão e artigos têxteis. Depois dos EUA, o Uzbequistão é o segundo maior exportador mundial de algodão com uma fatia de 11 por cento das exportações totais. As exportações de algodão do país estão a crescer para os países em actual expansão têxtil, como a China, Índia e Paquistão. O Uzbequistão é também o terceiro maior produtor mundial de seda natural, seguido da China e da Índia. Aumentar o processamento do algodão Nodir Kalandarov, presidente da empresa Uzbekyengilsanoat, uma holding responsável por 133 empresas relacionadas com têxteis, sublinhou em Bruxelas que o Uzbequistão deveria aumentar significativamente a quantidade de algodão nacional que processa. Em 2004, cerca de 850 empresas têxteis e mais de 1.000 empresas de vestuário foram capazes de processar apenas 28 por cento da produção nacional de algodão. Até ao final de 2008, esta percentagem deverá chegar aos 50 por cento. Segundo Kalandarov, os futuros investimentos deverão focar-se na produção de artigos têxteis de valor acrescentado. «Porque é que o país deve continuar a exportar algodão cru a um preço médio de 1,04/kg dólares, se com um kilo de algodão podem ser feitas três t-shirts para vender a 4,2 dólares?», questionou. Apesar de estar rodeado de países em que a moda não é um tema central (Afeganistão, Tajiquistão, Turquemenistão, Kazaquistão e República Kyrgyz), o Uzbequistão é receptivo à moda. Na sua capital, Tashkent, que alberga mais de 2,6 milhões de habitantes, existem várias escolas e lojas de moda. Kalandarov admitiu que a grande distância entre o Uzbequistão e os portos marítimos constitui um handicap para as exportações de artigos têxteis do seu país para a União Europeia e outros mercados. Os camiões precisam até 10 dias para chegar a Moscovo e mais 20 dias para chegar a Frankfurt. Por consequência, os custos de transporte são elevados. Da fronteira do Uzbequistão até Antuérpia, os custos são de 0,22 dólares/kg, enquanto dos portos do Paquistão os custos são apenas de 0,10 dólares/kg. Contudo, ao aumentar a produção de artigos têxteis acabados estas desvantagens podem ser diminuídas. Relativamente aos custos verifica-se uma vantagem para o Uzbequistão, mais baratos do que os produtores têxteis concorrentes como a China, Índia e Paquistão. Neste item inclui-se não só os custos laborais por hora (0,22 dólares, segundo a comparação de custos laborais realizada pela Werner International em 2004), mas também os custos de energia (gás natural, petróleo, gasóleo), electricidade e água. Atrair investidores estrangeiros Para atrair mais investimento estrangeiro directo ao Uzbequistão, o governo implementou recentemente uma série de privilégios, preferências e garantias para os investidores estrangeiros. A partir de Julho de 2005, os projectos de investimento estrangeiro directo que atinjam a quantia mínima de 300.000 dólares estão isentos de imposto sobre o rendimento, assim como de outros impostos por um período de 3 a 7 anos (dependendo do volume do investimento). Para além desta medida, existem privilégios e preferências especiais para o investimento estrangeiro directo na indústria têxtil. Até 1 de Janeiro de 2009, as empresas de vestuário estão isentas de todos os tipos de impostos e tarifas, à excepção do IVA. As empresas têxteis que estão a reequipar-se e queiram importar equipamento, peças de substituição, químicos e tintos que não são produzidos no país, encontram-se isentos de impostos alfandegários. Também até 1 de Janeiro de 2009, os exportadores têxteis gozam do direito de comprar produtos semi-acabados (fios, tecidos e tecidos tricotados) no mercado interno a uma taxa zero de IVA. Se o novo programa oficial New Programme 2005-2008 – para o sector têxtil do Uzbequistão atingir os seus ambiciosos objectivos, os investimentos avaliados em mais de 1,2 mil milhões de dólares irão criar mais de 46.000 postos de trabalho adicionais. Aumento da produção A implementação deste ousado programa resultará não só no aumento da produção de fio e tecido do país, mas também no aumento da produção de peças de vestuário. A modesta produção actual de vestuário de malha e meias (26,9 milhões de peças e 17,5 milhões de pares, respectivamente, em 2004) aumentariam em grande escala. Até ao final de 2008, o Uzbequistão espera produzir mais 186,6 milhões de peças de vestuário tricotado e 59,5 milhões de pares de meias. Kalandarov adiantou que muitos investidores turcos, entre os quais a Ay Demir, Tashkaya e Chetinkaya, assim como a americana Islonch e a coreana Daewoo Textile, já têm alguma actividade no país. Pensa-se que muitas outras empresas estrangeiras, incluindo o grupo indiano Lakshmi, deverão estar também interessadas. A Zeromax (Suiça) está entre alguns investimentos europeus, tendo construído uma fábrica no Uzbequistão para produzir anualmente 2,5 milhões de peças de vestuário. Dois novos centros de formação deverão ser inaugurados brevemente pela Saurer e a Rieter. A joint-venture formada pelo Uzbequistão e Alemanha, KokandHofTextile, está a planear construir uma fábrica têxtil e de vestuário, representando um investimento de 61,6 milhões de dólares, até ao final de 2005. Circulam rumores que o produtor de toalhas de banho sedeado na Bélgica, Santens, está também a considerar propostas de investimento no Uzbequistão.










