O Portugal Têxtil apresenta aqui a conclusão desta análise à indústria têxtil e do vestuário da Letónia, que foi publicado noJournal du Textile.
Em 2003, a ITV da Letónia empregava um total de 23.581 pessoas, o que constituía 15,8% do emprego industrial deste país.As empresasOgre (2.600 trabalhadores),Lauma (1.274 trabalhadores),Valmieras (1.195 trabalhadores) eRimako (com 815 trabalhadores) destacam-se como os maiores empregadores do sector.A mão-de-obra da Letónia tem reputação de ser flexível, e empresas têxteis como aJuglas-Manufaktura e aViola-Stils laboram sete dias por semana, com três ou quatro turnos de trabalho.Outras unidades, como aLenta e aLarelini recorrem a operários em tempo parcial.Os trabalhadores aceitam facilmente o trabalho suplementar, bem como os turnos no fim-de-semana, e as faltas injustificadas são quase inexistentes.Outro dos pontos fortes desta indústria é a combinação de salários muito baixos (mas ainda assim 20% mais elevados que na Lituânia) e uma produtividade alta.Assim, o salário bruto médio na indústria têxtil-vestuário da Letónia era, em 2002, de 280 euros por mês, enquanto a média no emprego industrial atingia os 303 euros mensais.Em 2002, a produção média por trabalhador era de 10.000 euros, e em certas empresas, como aTriteks, fabricante de tecidos de malha e roupa interior em algodão, a produção anual média ultrapassava os 45.000 euros por trabalhador.No que respeita à situação da economia, a Letónia é o mais pobre dos novos membros da União Europeia, e as despesas com vestuário não ultrapassaram os 48 euros por habitante, em 2002, o que totalizou 115 milhões de euros neste ano, isto é, 4,2% do total dispendido pelos cidadãos deste estado báltico, segundo o seu gabinete central de estatísticas.Na capital, Riga (750.000 habitantes), o sucesso da economia de mercado está à vista.Esta cidade conta com inúmeras lojas e galerias, como por exemplo o centro comercialStockmann, embora a maioria dos consumidores da capital da Letónia continuem a preferir o grande mercado ao ar livre, situado no centro histórico da cidade, e no qual os vendedores nacionais e russos oferecem uma grande variedade de produtos a preços tentadores.As grandes marcas internacionais têm sentido algumas dificuldades em implantar-se na Letónia, e a Adidas encerrou mesmo a sua loja na principal rua de Daugavpils, cidade em que o salário médio mensal não passa de 120 euros.Outra adversidade a superar pelas empresas e marcas estrangeiras neste país é a venda, feita à luz do dia, de artigos a imitar os originais, situação que aflige igualmente a Lituânia.Em relação ao posicionamento da ITV da Letónia no panorama internacional do sector, as empresas deste país estão essencialmente viradas para a exportação.A seguir à indústria da madeira e mobiliário, os têxteis e vestuário são o segundo principal ramo industrial exportador deste país, e os dois asseguram 14,1% das vendas totais ao estrangeiro.Neste aspecto, o seu desenvolvimento tem sido notável, nos últimos anos.Entre 1996 e 2002, as exportações da Letónia aumentaram 34%, atingindo os 281 milhões de euros, tendo as vendas para a UE crescido 82%, para os 204 milhões de euros.Ao mesmo tempo, as exportações de têxteis e vestuário para os países da ex-União Soviética caíram 63%.Esta indústria vive sobretudo do trabalho à medida, efectuado por encomenda para os clientes estrangeiros, existindo no entanto algumas empresas que possuem marcas próprias e que usufruem de algum reconhecimento na região do Báltico e no Leste da Europa, como aNew Rosme,Rita,Ogre,Aurora eBaltika.Em 2002, 93% da produção total deste sector destinou-se à exportação, tendo mais de 72% das vendas tido como destino os países da União Europeia, destacando-se neste caso a Suécia (14,4%), Alemanha (14%), Dinamarca (12,9%), Itália (8,4%) e Reino Unido (6,8%).Em relação às importações, a Letónia comprou ao estrangeiro, no mesmo ano, um total de 175 milhões de euros em artigos têxteis e vestuário, provenientes principalmente da Alemanha, Suécia e Estónia.Refira-se igualmente que as importações oriundas da China são ainda modestas, não ultrapassando os 5 milhões de euros.Finalmente, e no que diz respeito ao investimento neste sector, desde a independência do país, em 1990, foram apenas investidos 106 milhões de euros na ITV da Letónia, dos quais 48 milhões de euros de origem estrangeira.Neste aspecto, os alemães dominam o investimento estrangeiro no referido país báltico, com 30 milhões de euros ali investidos até final de 2002, seguidos pelos suecos, que são os mais activos no sector do vestuário, com 39,9% de um total de 8 milhões de euros recebidos pela indústria de vestuário da Estónia.










