No seguimento do que vem sendo habitual, o Portugal Têxtil reproduz mais uma análise à indústria têxtil e do vestuário num dos novos membros da União Europeia a Letónia publicado recentemente no semanário francêsJournal du Textile.
Situada entre a Lituânia e a Estónia, com 2,4 milhões de habitantes e um território de 64.600 km2, a Letónia conheceu um crescimento económico particularmente rápido nos últimos anos.Com efeito, entre 1996 e 2002, o seu PIB cresceu em média 5,8% por ano, em termos reais.Este ritmo acentuou-se em 2002, ano em que o Produto Interno Bruto da Letónia aumentou 6,1%.Em 2003, o ritmo de crescimento da economia deste país abrandou ligeiramente, fixando-se em 5,5%, e os analistas nacionais apontam para um crescimento na casa dos 6% no corrente ano.Apesar deste crescimento, que se acentuou desde a independência do estado báltico, em 1990, o PIB por habitante da Letónia (3.800 euros) permanece ainda muito aquém da média da União Europeia, constituindo apenas 16% dos restantes países membros.A indústria dos têxteis e vestuário continua a ser a mais importante nesta economia em mudança, embora o seu peso no contexto nacional tenha vindo a decrescer era de 10% em 1996, e foi de 8,6% em 2002.A ITV na Letónia conta com 390 empresas, que empregam 23.500 pessoas, ou seja, 16% do emprego industrial total.Aliás, esta é a mais antiga indústria do referido país, e durante o antigo regime comunista, a Letónia era um dos principais fornecedores destes produtos à União Soviética.Em 1990, este país produzia 57 milhões de metros quadrados de tecidos de algodão, 14 milhões de metros quadrados de tecidos de linho e 25,5 milhões de metros quadrados de tecidos em fibras artificiais.A partir de 1991, a indústria têxtil da Letónia conheceu um período difícil, vivendo uma profunda reestruturação e reposicionamento. Face à queda dos mercados do Leste da Europa, as empresas da Letónia tiveram que reorientar as suas exportações, virando-se para a União Europeia, o que conseguiram fazer com relativo sucesso.Entre 1996 e 2002, a ITV deste país retomou o crescimento, tendo a produção total do sector multiplicado 1,5 vezes, tendo o vestuário e a confecção como grandes locomotivas desse desenvolvimento.No entanto, e como os restantes países bálticos, a Letónia viu nos últimos anos a competitividade da sua indústria do vestuário decair fortemente a nível internacional.Em 2002, o valor da produção total de têxteis aumentou 4%, mas a do vestuário baixou 3%.Segundo a Federação de Têxteis e Vestuário da Letónia, os principais pontos fortes desta indústria são: a polivalência dos trabalhadores deste país, os baixos custos salariais, as marcas de vestuário bem implantadas nos outros países da Europa Central e de Leste, e uma grande experiência de trabalho com a Rússia e os restantes países ex-comunistas.De acordo com a mesma entidade, as fraquezas mais gritantes deste sector neste novo membro da União Europeia são as instalações industriais obsoletas (com maquinaria com mais de 25 anos), o baixo nível de implantação das marcas de vestuário nacionais nos países da UE, e o baixo uso das novas tecnologias da comunicação.A ilustrar a baixa taxa de adesão às TICs, constata-se que apenas 20 das 60 maiores empresas de vestuário da Letónia possuem um site Internet, e a maior parte delas vê nesta ferramenta apenas um meio de mostrar os seus produtos.Em 2002, a indústria têxtil da Letónia elaborou um plano de desenvolvimento, que contemplava as seguintes prioridades: aumentar a produção de fios e tecidos de algodão fino; relançar a produção de linho (este país ainda produz 1.000 toneladas de fibras por ano); criar um parque tecnológico da lã; e melhorar o sistema de formação dos estilistas nacionais.No que toca à área do vestuário, o futuro afigura-se mais complicado.Segundo a referida federação deste sector, este deve continuar os seus esforços no sentido de conquistar os principais mercados da União Europeia. Assim, embora os níveis de exportação para a Alemanha e os países escandinavos sejam razoavelmente satisfatórios, as vendas para a França, Espanha, Portugal e Grécia poderão ainda crescer bastante.Os confeccionadores deste país deverão beneficiar igualmente da sua experiência na Rússia, Ucrânia e Bielorússia para abordar os novos mercados da região, como a Arménia e o Cazaquistão, servindo ao mesmo tempo como porta de entrada aos seus parceiros comerciais ocidentais.De acordo com um estudo sobre o potencial da ITV da Letónia, realizado em conjunto pela Associação de Indústria Ligeira e Agência de Desenvolvimento, em 2002, as empresas deste país devem apostar sobretudo na criação e produção de artigos made in Letónia, e na criação de valor acrescentado nesses mesmos produtos, o que não se afigura fácil, dado a subida do custo da mão-de-obra local e a agressiva concorrência de outros países, nomeadamente os asiáticos.










