Com a análise dos primeiros dados estatísticos do ano e das quotas que se avizinham, o tema do fornecimento de têxteis e vestuário provenientes da China surge de novo no topo das notícias. De acordo com o Instituto Francês da Moda (IFM), nos primeiros dois meses do ano, as importações de vestuário (vestuário de malha e de tecido) de origem chinesa cresceram 43% relativamente ao mesmo período do ano passado. «Os números são importantes, o que não impede de os relativizar», afirma Gildas Minvielle, responsável pelo observatório económico do IFM. «No início do ano de 2006, a quantidade de mercadorias provenientes da China foi bastante modesta. Para compensar, eles aumentaram bastante no decorrer do ano. O que significa, por exemplo, que este ano a percentagem de evolução corre o risco de diminuir ao longo dos meses».O assunto não é tão simples assim, e «as estatísticas merecem ser analisadas com muitas precauções», como sublinha igualmente Emmanuelle Butaud, directora de relações internacionais e económicas na União das Indústrias Têxteis (UIT), outra importante entidade francesa do sector. A organização profissional, que não usa as mesmas nomenclaturas que o IFM, constata, no primeiro trimestre de 2007, uma progressão das importações provenientes da China de 38% para o vestuário e de 22% para os têxteis. «A China representa, neste momento, cerca de um terço do valor do mercado francês de têxtil e de vestuário», indica Emmanuelle Butaud.De acordo com François-Marie Grau, delegado-adjunto da União Francesa das Indústrias de Vestuário, «o nível das quotas negociadas pela União Europeia não é muito elevado. É fundamental impor elementos fixos, como fizeram os EUA, e não negociar com os chineses para rever os níveis de aumento».A análise das dez categorias de quotas revela algumas surpresas. «Em cinco categorias de produtos como os vestidos, soutiens ou lingerie de noite, a parte da China aumentou no primeiro trimestre de 2007 apesar das quotas», precisa Emmanuelle Butaud. «Pelo contrário, as importações chinesas recuaram 38% para os fios de linho, 27% para os tecidos de algodão, 18% nas camisolas desportivas e 6% na roupa de casa de banho». De facto, o sourcing diversificou-se muito nestes últimos meses. Numa primeira fase devido à aplicação das próprias quotas, num segundo momento porque os contratadores, como destaca Gildas Minvielle, «optaram por diversificar os seus fornecedores para assegurar as suas compras e não depender de um único país fornecedor». Neste novo contexto, a zona Euromed passou a ser preferencial. «As exportações de vestuário da Tunísia conheceram uma subida de 17% relativamente ao primeiro trimestre, e as de Marrocos aumentaram 14%», acrescenta Gildas Minvielle.Para a maioria dos industriais têxteis e de vestuário, o prolongamento das quotas em 2008 será bem-vindo. A mudança da presidência da União Europeia no próximo dia 1 de Julho, que passará das mãos da Alemanha para Portugal, e a vontade expressa pelo novo governo em relançar a Europa económica poderá exercer pressão junto das instâncias responsáveis.










