Continuando a descrição dos diversos tipos de empresas,Natalie Weathers adianta que as empresas na categoria Carneiros são basicamente as empresas de países como o Malawi, propriedade de empresários locais (ao contrário daquelas que pertencem a investidores da Ásia).
Em geral, a maioria dos seus produtos é vendida no mercado doméstico, com apenas uma pequena parcela a ser exportada para a Europa, e por isso trata-se de empresas relativamente inexperientes no que toca às expectativas e preferências dos retalhistas dos Estados Unidos, em termos dos níveis de controle de qualidade, preços, prazos e volumes de entrega de encomendas. Estas empresas enfrentaram um enorme desafio, desde a aprovação da Lei AGOA, dado que para tirar as maiores vantagens desta medida legislativa norte-americana, tiveram que tornar-se efectivamente proactivas e capazes de responder com eficácia às necessidades dos clientes dos Estados Unidos, num curto espaço de tempo. Neste sentido, o Malawi demorou dois anos a atingir todas as exigências da Lei AGOA, o que provocou naturalmente consideráveis atrasos na competitividade das suas empresas de têxteis e vestuário. As empresas Carneiro expressaram as suas ansiedades e expectativas de diversas formas.Na sua maior parte, não compreendiam a enorme grandeza do mercado de vestuário dos Estados Unidos, e a complexidade da sua segmentação, pois tinham muito poucos contactos anteriores e não faziam ideia por onde começar a abordar este vasto mercado.Além disso, não esperavam que os retalhistas americanos tivessem uma postura tão superior, à qual se acostumaram depois de compreender que, através deles, os fabricantes de vestuário, têm acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo. A chamada integração regional é essencial para os esforços de marketing das empresas de vestuário africanas, devido a quatro razões básicas.Em primeiro lugar, as empresas Carneiro podem beneficiar da experiência das empresas Leão e Tigre e do seu acesso aos mercados de exportação.Em segundo lugar, as empresas do tipo Leão e Tigre podem construir economias de escala e desenvolver as suas capacidades, através do estabelecimento de parcerias com as empresas Carneiro.A terceira destas razões, prende-se com o facto destas empresas, na sua maioria verticalmente integradas, vão assegurar que existe um fluxo de fornecimento de matéria-prima eficaz, desde as fibras, ao fio, e passando pelo produto acabado, pois os diversos componentes não se encontram localizados no mesmo país.Finalmente, a integração regional estimulada pelos diversos interesses de negócios, pode contribuir para parcerias entre governos que ajudem a resolver os vários conflitos deste continente. Existem assim diferentes formas das empresas de têxteis e vestuário africanas poderem desenvolver compêtencias, ajudando a superar as barreiras naturais, geográficas e políticas e integrando as forças regionais nas suas estratégias de marketing.Essas parcerias implicam que as empresas envolvidas adoptem posições flexíveis e com boas capacidades de resposta às necessidades umas das outras, o que exige naturalmente uma comunicação eficaz e elevados investimentos em tecnologias avançadas.Neste sentido, os governos e o sector privado terão que trabalhar em conjunto, para atingir esta meta. No seu estudo,Natalie Weathers aponta os exemplos da tradição comercial do Malawi e da África do Sul, como forma de ilustrar os aspectos a evitar na integração regional.Com efeito, nos anos 60 e 70, o Malawi tinha uma economia mais ou menos orientada para o mercado, e o seu sector privado desempenhava um importante papel.Com os anos 80, este país conheceu diversas guerras civis nos países vizinhos, como Moçambique e o Zimbabwe, e o Malawi sofreu as inevitáveis consequências, nomeadamente no seu desempenho ao nível económico. Na sequência destes conflitos, e da presença do Malawi, a África do Sul impôs às suas empresas pesadas multas, que levaram ao encerramento, entre Janeiro e Maio de 2000, de quatro grandes empresas no Malawi, levando ao despedimento de mais de 4.000 pessoas. Neste contexto, existem realidades políticas que devem ser tomadas em conta, e o desenvolvimento do mercado local e das suas empresas de têxteis e vestuário acaba por ser uma constante lembrança do facto da política e dos negócios andarem (quase) sempre lado a lado.O desenvolvimento regional deve ser assim incorporado numa estratégia de marketing para as empresas africanas de vestuário poderem afirmar-se no cada vez mais competitivo mercado global.











