Textafrica vai fechar

A Textafrica, uma das maiores empresas têxteis de Moçambique, está na iminência de encerrar. Apesar das várias tentativas de recuperação quer privadas, quer estatais, aquela que já foi a maior exportadora do país, contando com 3.300 trabalhadores, não tem condições financeiras para comprar matérias primas, segundo um comunicado da agencia noticiosa estatal. Segundo a BBC, a empresa já não conseguia sobreviver quer no mercado interno quer no externo, com os baixos preços dos produtos asiáticos e com o vestuário em segunda mão enviado pela Europa e Estados Unidos da América. «Estamos num processo de encerramento devido quase exclusivamente ao livre comercio prematuro e indiscriminado», salientou Frederico Magalhães, administrador da Textafrica. Não obstante ter sido dado a Moçambique um acesso privilegiado ao mercado americano de têxtil e vestuário no âmbito do AGOA – African Growth and Oportunity Act a 20de Fevereiro, Manuel Magalhães, representante do maior accionista da empresa – Multiplier Group – disse aos empregados para ficarem em casa e «esperarem por novas instruções». Será um duro golpe para Chimoio, capital da província de Manica, onde metade da população trabalhava na têxtil. Os trabalhadores já não recebiam desde Novembro de 2000. A Texteafrica foi fundada há mais de 40 anos e «minada» por 16 anos de guerra civil. Em 1996 a Multiplier Group adquiriu 60% do capital, o Estado a ficou com 30% e o recentemente privatizado BCM- Banco Comercial de Moçambique ficou detentor do remanescente.