TexBion da Tintex já tem resultados

O projeto para desenvolver malhas a partir de biopolímeros renováveis tingidas com corantes naturais e processos sustentáveis foi bem sucedido e a inovação conseguida já foi incorporada em produtos no portefólio da Tintex.

O projeto liderado pela empresa pretendeu explorar materiais de origem natural, como os bipolímeros e corantes, para responder às exigências crescentes dos clientes e consumidores finais e providenciar soluções mais sustentáveis.

Para cumprir esse objetivo, foram usadas matérias-primas sustentáveis, sendo o principal desafio escolher biopolímeros compatíveis com os processos de enobrecimento das malhas.

«Neste projeto, os biopolímeros utilizados foram poliamidas inovadoras, cujos métodos de produção incorporam uma elevada percentagem de matéria natural, especificamente o óleo de rícino (castor oil) e seus derivados», explica Pedro Silva, administrador da empresa, ao Portugal Têxtil. «O óleo de rícino é um aditivo de origem vegetal, subproduto da indústria alimentar, mas não é usado para alimentação (não compete por área de cultivo com outros produtos alimentares)», destaca.

No projeto foram usadas as poliamidas PA410 – EcoPaXX, com 72% da composição de origem vegetal, e Zytel RS LC3090 NC010, que contém um mínimo de 60% de ingredientes de origem renovável.

Pedro Silva

«Do ponto de vista técnico, o desempenho destes biopolímeros assemelha-se – mas ainda não iguala – o das poliamidas existentes no mercado», indica Pedro Silva, que considera que «por si só, esta é uma conclusão promissora no que toca à utilização de biopolímeros».

Contudo, reforça, «a real vantagem do uso destes materiais prende-se com a componente ambiental, em que estas soluções representam uma redução do impacto até cerca de 70%».

A Tintex conseguiu ainda produzir artigos com uma menor pegada carbónica, através da utilização de métodos de tingimento mais ecológicos. «Em certos casos, foi usada a tecnologia Colorau, desenvolvida e patenteada pela Tintex, por forma a evitar o uso de corantes de origem sintética e sal, e diminuir o consumo de energia, água e químicos auxiliares. Não foi possível determinar o ganho ambiental concreto, uma vez que não foi realizado um LCA (análise do ciclo de vida) compreensivo do processo, nem este seria bem representativo do potencial final (escala laboratorial/experimental).

Do laboratório para o mercado

Ainda assim, é inegável que as matérias e processos utilizados constituem alternativas mais sustentáveis e responsáveis às utilizadas comercialmente hoje em dia», revela o administrador.

«Adicionalmente, foi também importante explorar uma cadeia de valor paralela à da têxtil, onde já circulam matérias-primas como as descritas, pela diferente complexidade no processamento e aplicação para os diferentes fins. Isto permitiu ao consórcio avaliar possíveis caminhos alternativos e antecipar desenvolvimentos no nosso próprio sector – que vimos concretizar-se, entretanto», acrescenta.

[©Tintex]
As técnicas de processamento têxtil que foram usadas são, contudo, apenas adequadas à escala experimental, devido à «inexistência dessas mesmas matérias-primas na cadeia de valor têxtil», aponta Pedro Silva.

Após a validação dos resultados, os passos seguintes passaram pela «materialização de produtos similares na oferta comercial da Tintex, obtidos a partir de materiais já disponíveis na rede de fornecedores têxteis», afirma o administrador.

As limitações iniciais foram superadas pela chegada ao mercado de novas soluções, que permitiram à Tintex lançar «artigos orientados para o desporto e aplicações técnicas com a biopoliamida EVO by Fulgar, que utiliza mais de 30% de óleo de rícino na sua produção», destaca Pedro Silva.

Soluções que vão ao encontro das necessidades do mercado, adianta. «Os materiais mais sustentáveis – de origem vegetal em oposição aos de origem fóssil – são cada vez mais procurados e muitos clientes veem-no como uma necessidade e fator crítico. O mercado está atento e vai sendo progressivamente mais fácil ter acesso a estas matérias-primas alternativas, que muito em breve se tornarão a norma», acredita o administrador da Tintex.