Temperatura sobe na ITV

Ao terceiro dia de Portugal Fashion, a indústria tomou a passerelle de assalto, primeiro com a Meam by Ricardo Preto e depois com a Vicri e a Lion of Porches. Numa tónica ecologista, a Meam by Ricardo Preto mudou as matérias-primas que serviram de base à nova coleção para a estação quente do próximo ano. Poliésteres e sedas e algodões com tingimentos vegetais, menos poluentes, fizeram parte das escolhas de Ricardo Preto para a marca, detida pela Meamstyle, onde os vestidos de verão se conjugaram com casacos mais quentes e sweatshirts foram combinadas com calças de seda. «É uma coleção inspirada no trabalho que tenho vindo a fazer com a Meam – uma coleção contemporânea, feita para um target muito mais abrangente, do que por exemplo a Ricardo Preto», explica o criador, que mudou ainda a paleta de cores, usando verdes, vermelhos e muitos estampados. A Vicri, por seu lado, levou a plateia até à estância balnear de luxo dos Hamptons, onde as famílias mais abastadas de Nova Iorque têm as suas residências de verão. A elegância e o bom gosto imperaram, por isso, nas suas propostas, com uma paleta de cores fresca e para homens sem preconceitos, com rosa, laranja, verde, amarelo e azul. Os estampados são ligeiramente étnicos e de influência tropical, a fazer sonhar com as férias, enquanto nos materiais os algodões e as misturas lã/seda são dominantes. O preppy da Lion of Porches – que contou novamente com a apresentadora Sónia Araújo e a sua família na passerelle – encerrou o dia, com «peças elegantes e contemporâneas de estilo náutico retro». Além dos tons habituais azul, branco e vermelho, que são já uma imagem de marca, a Lion of Porches usou ainda amarelo, laranja, verde e rosa, por vezes em riscas e estampados florais, tanto nas propostas de senhora, como nas de criança e homem. No dia seguinte foi a vez do desfile coletivo da indústria mostrar a vitalidade da moda “made in Portugal”, com a Ballentina a revelar “Harmony”, uma coleção feminina, com vestidos e camisolas com estampados de flores, que evocam «visões pitorescas de lindos jardins de verão», segundo a marca. Hélder Baptista, por seu lado, foi à arquitetura beber inspiração para criar a nova coleção da Concreto. «Inspirei-me em espaços amplos, modernos, onde há muito branco, com detalhes de requinte dourado e muito prata, a que juntei pormenores em preto e tons fortes», afirma. As silhuetas, nas habituais malhas mas também materiais mais técnicos, são amplas e longas, às quais se juntam as saias-lápis e camisolas, saias e vestidos rendados. «No fundo é transportar a mulher e o homem Concreto para dentro da arquitetura moderna», indica. Na Cheyenne, o look militar dominou, tanto para senhora como para homem, com camuflados geométricos em tecidos texturizados e perfurados, enquanto na Mad Dragon Seeker (MDS) houve um choque de ideias opostas, que resultou em novas texturas acompanhadas por técnicas vintage de tingimentos e acabamentos, presentes nas camisolas e calças de senhora, enquanto os homens se vestiram de calções e t-shirts com mensagens para refletir. O Portugal Fashion encerraria, no que à indústria diz respeito, com o desfile da Dielmar, que se inspirou em Miami e na Art Deco dos hotéis e casinos da cidade em termos de cores – rosas flamingo e rosas make-up, verdes-água e verdes-pistácio, azuis-céu e azuis-lavanda – presentes em fatos, calças, blazers e pullovers. «Como temos na nossa génese a alfaiataria, privilegiamos sempre essa área na coleção, que está presente nos fatos alinhavados e muito estruturados, muito tailor-made. Depois temos toda a oferta de um vestir mais casual, em peças em algodão e com o colorido de Miami», resume o estilista-sénior da marca, António Simões.