Leandro Manuel Araújo, mentor da empresa homónima LMA, contou a Jornal Têxtil (JT) que a aposta na moda e nos acabamentos aliados à internacionalização serão a base dos bons resultados que tem tido, mesmo que as condições no nosso país por vezes não ajudem, num 2005 que é um novo período para a ITV. «Este ano é de transição, e temos de pensar em acompanhar este crescimento que vemos que a China está a ter também no nosso sector, o que para nós não vai ser fácil. Eu não diria que há uma crise no sector, mas sim que estamos numa nova fase. E as novas fases podem proporcionar boas mudanças, de onde pode resultar ficar para trás ou passar para a linha da frente, e nós vamos fazer tudo para pertencer a este último grupo. Tenho agora duas ou três propostas interessantes a ponderar, ainda na área dos tecidos especiais com os quais trabalhamos, mas já a pensar em não ficar confinado aos nichos de mercado».
Se o ano é de transição, ela dá-se também pelo facto de ter incluído uma liberalização no início do ano, a que nenhuma empresa terá ficado indiferente: «alguns clientes das grandes quantidades passaram mais facilmente a abastecer-se na China, mas precisamente por isso é que eu estou a ir a este país, para não os perder, e para perceber o que eles precisam agora. Não é apenas uma questão de preço, porque o nosso segmento, não sendo mão-de-obra intensivo, não baseia a sua competitividade neste factor produtivo, mas qual é o artigo técnico que o mercado quer». E no âmbito da competitividade está na ordem do dia a avaliação das nossas vantagens comparativas, num período onde o aumento dos combustíveis onera as empresas num processo de inflação pelos custos. «Alguém de direito devia olhar com mais atenção ao facto de estarmos a assistir a um aumento dos custos de transporte na ordem dos 12%. Antigamente fazíamos os transportes pelos caminhos-de-ferro, e nós tínhamos contratos muito interessantes com a CP. Depois passámos tudo para as estradas, e cada vez que alteram os preços dos combustíveis, ficamos todos seriamente prejudicados. Depois o Governo não se pode queixar se vir acontecer cá o que aconteceu em Espanha (recente greve dos camionistas)». Mas o administrador da LMA refere que as condições adversas descritas ainda permitem manter os resultados: «as vendas vão-se manter, talvez ainda se note um pequeno aumento, mas estou preocupado com a conjuntura; por isso é que fui à Interstoff Rossija, à Ispo, à Avantex, e à Première Vision (PV), em Paris, e agora à InterTextile Xangai». Como as feiras e os mercados são distintos, Leandro Araújo especificou cada um destes últimos: «temos que estar na China, e em particular na feira de Xangai, pois se reparamos na nacionalidade dos vários pavilhões está lá o mundo todo, e nós não podemos ficar para trás. Relativamente à PV, posso afirmar que para nós foi a melhor edição de sempre, pela ausência dos nossos maiores concorrentes, o que poderá justificar termos tido o triplo dos visitantes, comparativamente com a edição anterior, dos quais destacaria a significativa presença de americanos. A estes resultados também não terá sido alheia a apresentação de uma malha com fibra de milho, natural e bio-degradável. A presença na Ispo também foi importante, pois ficámos ao lado dos nossos clientes: é importante vermos e sermos vistos neste eventos. E, finalmente, Moscovo também nos parece ser um mercado importante, mas é preciso encontrar o parceiro certo para apresentar e vender lá os nossos artigos, passo para o qual já tivemos dois bons contactos, e penso que a solução estará para breve». Neste contexto, o empresário revela também ao JT que aproveita a presença nas feiras para promover as empresas de confecção com quem tem estabelecido algumas parcerias recentemente, o que tem proporcionado a todos os envolvidos encomendas muito interessantes e a possibilidade de trabalhar com grandes clientes internacionais. Leandro Araújo confirma ao JT que a valorização dos artigos da empresa que lidera se faz pela componente moda e pelo investimento nos acabamentos, «que é o que faz a diferença». Assim, conta com três estilistas nacionais para assegurar o primeiro factor, e o segundo proporciona 22 performances da malha diferentes. Os melhores mercados para a LMA neste momento são o espanhol, «onde temos agentes por todo o país», e os países nórdicos, tendo o Reino Unido indicadores «muito interessantes ultimamente». Esta empresa de Rebordões,
em Santo Tirso, conta com 50 trabalhadores, 40 mil m2 de área coberta, uma marca própria – Alitecno – para tecidos e malhas com performances técnicas na área do desporto, e apresentou no exercício económico transacto 10 milhões de euros de volume de negócios, num projecto que o empresário classificou como «um sonho» que desde 1995 se vem realizando.