«Temos perspetivas positivas de negócio para o futuro e isso é bom»

O segundo trimestre do ano trouxe uma redução na procura, provocada pela conjuntura internacional, que se irá refletir nos números finais da Tintex para 2023, revela o administrador Ricardo Silva.

Ricardo Silva

No entanto, como destaca, a empresa, que tem investido em áreas como o serviço rápido e na inovação para impulsionar a sua competitividade, antecipa melhorias nas vendas.

Como é que estão os negócios a correr atualmente na Tintex?

Posso dizer que setembro está melhor do que agosto. O primeiro semestre não foi bom, foi um semestre de quebras. O primeiro trimestre foi melhor do que o segundo trimestre. Setembro está a ser de enchente. Por exemplo, trabalhámos no sábado passado e já não o fazíamos há quatro ou cinco anos. Isso é positivo. Temos aqui um volume neste pico de entregas o que é bom. Outubro, que estamos agora a começar, continuamos ainda nesse registo, mas aquele longo prazo de que se falava já não existe. É sempre semana a semana. Mas, mesmo assim, não estou contente. Estou menos descontente agora do que estava antes, digamos assim, tendo em conta o panorama nacional.

Esse abrandamento é apenas face ao ano anterior ou também em comparação com o período antes da pandemia?

O primeiro semestre foi mau, mas, tendo em conta a previsão do ano, como estamos agora e o resto do ano, eu diria que crescemos em relação a 2019, mas menor ou igual ao ano passado. Estamos a ver agora como é que vai acabar. O volume de faturação é uma coisa, os resultados são outra. Os custos mudaram muito. Não quer dizer que estejamos mal nas margens, por exemplo. As margens deviam estar maiores, mas é incerto e essa é a questão. Não conseguimos prever com tanta agilidade, como antes, o final do ano.

Na sua perspetiva, essa incerteza, é conjuntural ou estrutural?

É conjuntural, puramente conjuntural. O mercado está em baixo em todo o lado.

Isso quer dizer que a Tintex não está a perder competitividade face ao mercado?

Na verdade, estamos a ganhar muito. Estamos a ganhar bastante competitividade no mercado neste momento. Muitos novos negócios, que não tínhamos antes, mas nota-se que o mercado está em baixo. Ou seja, temos novos clientes que eu não achava que ia ter e tenho neste momento por causa desta competitividade que ganhámos, mas, conjunturalmente, a economia está em baixo e um dos principais sectores onde se está a notar é na roupa. Na Europa, também na Ásia… Se falarmos nos meus pares asiáticos, estão muito piores.

Como é que têm melhorado a vossa competitividade?

O que traz competitividade à Tintex, neste momento, é o nosso serviço rápido e atender às necessidades de cada pessoa que nos toca. Ou seja, temos muitos contactos que antes achavam que nós só fazíamos um tipo de coisa, que só vendíamos malha acabada, por exemplo, e ligam-nos a perguntar se realmente fazemos prestação de serviços de mercerização ou outras coisas e a resposta é sempre sim. Vamos estudar o caso, vemos o que dá para fazer e temos conseguido muitos negócios assim.

A intervenção do Estado, com medidas de apoio, como um layoff simplificado que alguns reclamam, é algo que a Tintex espera também?

Não é de todo o caso. Há sectores, há empresas que o conseguem fazer mais facilmente, conseguem modularizar isso. Há empresas que, se calhar, precisam mais disso para conseguir subsistir estes tempos. Para nós, não é solução. O layoff tem coisas boas, tem coisas más, mas é uma gestão muito difícil de cada empresa. Não é esse o nosso caminho, estamos a ir por outros caminhos, a perceber como é que conseguimos aliviar esta questão de tesouraria. Este tempo é difícil para toda a gente, como toda a gente sabe. E crescer economicamente. É esse o desafio que estamos a passar. Mas temos perspetivas positivas de negócio para o futuro e isso é bom. Quando se fala de ver a luz ao fundo do túnel, a luz está lá. Agora resta saber se o túnel é o do Marão ou apenas um pequenino aqui ao lado.