Temos de estar presentes onde as oportunidades existem!»

Depois dos bons resultados de 2005 que António Pereira, director-geral da Tebe, referiu no Tema de Capa – Resultados da ITV para 2005, da edição de Abril, JT nº 98 – que acaba de sair, o Portugal Têxtil falou com o director mais detalhadamente sobre os objectivos para 2006. São sobretudo três: consolidar o investimento no negócio das malhas, estruturar uma rede de compras mais alargada e reforçar o investimento em investigação e desenvolvimento de novos produtos. Portugal Têxtil (PT) – Em que consiste esse alargamento da estrutura de compras? António Pereira (AP)– Durante o ano de 2005 estendemos a nossa rede de compras a diversos países do mundo de forma a conseguirmos obter o melhor produto, ao melhor preço e dentro dos parâmetros de qualidade a que nos propomos. Essa expansão passou pela procura, identificação, avaliação e qualificação de inúmeros potenciais fornecedores em diversas partes do mundo, estabelecendo de seguida estruturas de apoio, controlo e seguimento dos mesmos. A expansão resultou em pleno, estando já a trabalhar em velocidade cruzeiro com muitos deles. Esta expansão passou por regiões como a América Latina, Norte de África e países asiáticos, sendo de destacar países como a Índia, Marrocos ou Turquia. Esta nossa estratégia saiu recentemente reforçada com o recente acordo comercial entre os Estados Unidos e Marrocos, progressivamente extensível à Turquia e que vem facilitar igualmente a venda de produtos para a América do Norte. PT – Quais são as vantagens que encontra nestes três mercados (Índia, Marrocos e Turquia)? AP – A Índia é um produtor têxtil em grande crescimento e com uma progressiva melhoria na qualidade geral dos produtos que apresenta. As suas produções começam a incorporar algum valor acrescentado, o que permite uma maior confiança a quem os adquire. Marrocos, assim como todo o Norte de África, apresenta como principais vantagens a destacar o factor proximidade e o elevado desenvolvimento do seu sector têxtil. Existe igualmente um empenho do governo marroquino em apoiar fortemente o investimento directo europeu no seu território, tendo reestruturado toda a estrutura fiscal das empresas e criado zonas de comércio livre. A Turquia está a renovar toda a sua estrutura têxtil no sentido de relançar a sua capacidade produtiva instalada. Todos estes mercados e todas estas mudanças apresentam vantagens para uma empresa como a nossa, quando devidamente aproveitadas. Gostaria igualmente de referir que na Tebe continuamos a reforçar a capacidade de produção de produtos altamente elaborados, complementando a venda dos restantes através de aquisições nestes países. PT – E em termos de vendas, quais são os novos mercados escolhidos? AP – Além de reforçar a nossa tradicional presença nos mercados europeu e americanos, começámos a expandir para os mercados asiáticos e proximamente para a América Latina. Esta expansão passa pelo negócio de venda de malhas de elevada qualidade e igualmente pela venda de peças de vestuário de design sofisticado. Nos mercados asiáticos estamos a cobrir já diversos países, através de uma rede de agentes. Alguns países como China, Coreia, Taiwan ou Hong-Kong, já se encontram cobertos estando, neste momento, a expandir a mais alguns, de acordo com os objectivos estabelecidos. PT – Em que tipo de canal de retalho se vai apresentar e qual acha que é o factor mais valorizado nesses mercados, o design? AP – Através de ligações directas com clientes e através da rede de agentes constituída, pretendemos aproximar os grandes produtores asiáticos, estar próximo das marcas ocidentais que ali são produzidas e entrar nas marcas asiáticas que começam a surgir em grande número e com um potencial enorme. Os contactos directos com estas empresas confirmam que a nossa aposta é a mais correcta: produtos e design inovadores. Nestes mercados existe uma grande procura pela sofisticação e começam a emergir grupos sociais com elevado poder de compra. A dinâmica destes mercados é tão grande que, só a titulo de exemplo, gostava de referir que esta semana (passada) estão a decorrer só em Pequim cinco grandes feiras têxteis, e no final da semana irá decorrer a China Fashion Week. Igualmente nesta semana (passada), o governo chinês aprovou um pacote de incentivos à internacionalização das suas empresas têxteis. Em jeito de conclusão, temos de estar presentes onde as oportunidades existem. PT – Parte desta aceitação das vossas colecções deve-se ao investimento que têm realizado na presença em feiras? AP – Sim. A nossa estratégia passa pela presença em feiras, devidamente seleccionadas de acordo com os produtos que pretendemos promover e pelos mercados onde pretendemos penetrar, ou consolidar. Contudo, a presença em feiras obriga a um trabalho de preparação, acompanhamento e seguimento aturado. Estar numa feira sem a ter preparado convenientemente é perda de tempo e dinheiro. As feiras para nós são uma das componentes da nossa estratégia de expansão, e como tal tem contribuído muito positivamente para os bons resultados que estamos a obter.