«Costumo falar em evolução, mas aquilo que a Calvelex está a fazer é mesmo uma revolução», acredita César Araújo, administrador da empresa de confeção que anualmente produz mais de um milhão de peças com destino sobretudo à Europa e aos EUA.
Além da Fabrics4Fashion, uma plataforma online com uma biblioteca com mais de 35 mil tecidos e capaz de fornecer pequenas encomendas de até um metro de tecido de 7.000 referências, a Calvelex tem atualmente em funcionamento um portal online onde os clientes podem ver mais de 30 mil moldes de peças de vestuário, facilitando o desenvolvimento de produto.
«A Calvelex.net é a maior biblioteca de fittings», sublinha o administrador. «Temos mais de 30.000 fittings por tamanhos e por regiões, porque as pessoas não são todas iguais. Estão divididos por continentes e, ao mesmo tempo, por área norte e sul de cada país. Quando, no futuro, quisermos fazer qualquer pedido do cliente, poderemos, a partir dos esboços dele, introduzir no sistema os requisitos e o sistema vai rapidamente dar-nos, de todos os fittings que temos, os dez mais aproximados referentes àquele território ou àquele país. Juntamente com isso, conseguimos ir ver as cores, porque moda é cor. Quando tivermos as tendências de cor, e como temos a Fashion4Fabrics, a maior tecidoteca do mundo, com todas as cores e todos os padrões, o sistema vai poder ir buscar o tecido e facilmente conseguimos sugerir ideias aos nossos clientes», explica César Araújo ao Jornal Têxtil.
Atenção à sustentabilidade
Como destacou na apresentação que fez à comitiva de participantes internacionais da PCIAW, no caso do vestuário corporativo, que representa 20% da sua produção, a Calvelex – que, além das três unidades de confeção, conta com dois centros logísticos, incluindo serviço de pick & pack que garante uma resposta em até 72 horas aos clientes – tem ainda um sistema que permite a ligação ao sistema informático do cliente quer para ter acesso às medidas dos funcionários, quer para permitir fazer previsões de necessidades em termos de uniformes. No fornecimento de hotéis e empresas de cruzeiros, por exemplo, a Calvelex consegue em 10 dias fornecer os uniformes, com uma equipa a deslocar-se aos locais para fazer os ajustes necessários.
«Fornecemos roupa de trabalho para clientes com hotéis de quatro e cinco estrelas, ou seja, para os segmentos médio-alto e luxo. E conseguimos dar tudo ao cliente, que sabe que quando chega à Calvelex tem um parceiro estratégico. Muitos dos desenvolvimentos dos clientes dependem desse parceiro estratégico – e é isso que nós fazemos. Podemos controlar tudo, desde os stocks às quantidades e tamanhos», revela o administrador da Calvelex.
A empresa está ainda atenta às questões da sustentabilidade e economia circular, oferecendo serviços de reparação e de recolha de vestuário em fim de vida. «Estamos a desenvolver agora um projeto para trazer para Portugal o que vendemos ao cliente – quando substituo o uniforme do trabalhador, faço a reciclagem em Portugal do produto. Estamos a tentar desenvolver, com parceiros, materiais que possam ser depois reciclados», adianta César Araújo.
Tendo recebido, nesta edição dos prémios da PCIAW, o galardão que destaca a digitalização nas empresas produtoras, a Calvelex pretende continuar a evoluir tecnologicamente, para responder aos novos desafios da indústria. «Há cada vez menos pessoas disponíveis para trabalhar. Não me choca nem me admira nada que nos próximos cinco a 10 anos, a Calvelex tenha robôs e pessoas a trabalhar em colaboração», conclui o administrador.











