Recorrendo a soluções para partilhar, manipular e monitorizar a informação, as marcas e retalhistas podem minimizar os efeitos negativos da imprevisibilidade. O velho ditado duas cabeças funcionam melhor que uma tem provado ter fundamento, pelo menos no que diz respeito à tecnologia.
O planeamento colaborativo de artigos, isto é, o conceito de marcas e retalhistas trabalhando juntos para criar o mix perfeito de artigos é facilitado através de soluções especificamente concebidas para ajudar a aperfeiçoar o que é oferecido ao cliente na loja, além de acelerar o seu tempo de colocação na superfície de venda. «A tecnologia de planeamento colaborativo de artigos foi desenvolvida para ajudar retalhistas e produtores a prever qual a mercadoria que vai ser vendida numa determinada loja e quando», afirma Hung LeHong, director de investigação da Gartner/G2. Esta permite aos produtores saber antecipadamente quais os planos dos retalhistas para as suas lojas tornando-lhes assim possível entregar o produto no início da época, além de que terão mais confiança que o que produziram antecipadamente será o que os retalhistas querem. Esta comunicação estabelecida atempadamente tem grande impacto nas vendas e nas margens, uma vez que no final do dia existem menos excessos e não é preciso remarcar os artigos já que ambas as partes fizeram, em conjunto, uma estimativa muito aproximada da realidade logo no início do ciclo de planeamento. Tarefa difícil Prever stocks não é uma tarefa fácil uma vez que se baseia no imprevisível comportamento do consumidor, facilmente influenciável por inúmeros factores desde a cultura pop, celebridades, economia e tendências globais, nacionais e regionais. Uma má previsão pode resultar em inúmeros problemas incluindo o excesso de stocks, diminuições significativas nos preços, margens reduzidas e clientes insatisfeitos que não encontram os modelos e tamanhos que procuram. Mas, ao disponibilizar uma plataforma de partilha, manipulação e monitorização de informação, os seus utilizadores poderão minimizar os efeitos negativos da imprevisibilidade. Especificamente, estas ferramentas de planeamento colaborativo oferecem uma variedade de funções, entre as quais a partilha de listas de artigos com imagem, quantidades pré-mercadas, formalização de processos entre parceiros, ferramentas que facilitam o fluxo de trabalho e a capacidade de armazenamento das encomendas planeadas logo no início da época que actua como um sistema único de registo. Velocidade O aperfeiçoamento das encomendas é apenas um dos resultados desta ferramenta. Velocidade de colocação no mercado é outra. «O desenvolvimento do ciclo de vida do produto pode demorar até 10 meses e os vendedores precisam da visibilidade da procura o mais cedo possível», afirma Louise Chazen, presidente da 7thOnline, uma empresa de soluções de planeamento colaborativo de artigos que trabalha com grandes nomes como o Jones Apparel Group, Liz Claiborne, Kellwood e Danskin. «Esta tecnologia acelera o tempo de chegada ao mercado porque permite aos parceiros ter acesso visual a informação actualizada do produto e simultaneamente imagens para que consigam perceber os planos assim como os objectivos financeiros, percentagens de classificação, expectativas, etc. Descobrimos que a falta de visibilidade entre os parceiros é responsável pela falta de correspondência entre o fornecimento e a procura, para além de representar tempo e dinheiro desperdiçados», acrescenta Louise Chazen. Esta tecnologia permite aos retalhistas informar os vendedores sobre o ponto de situação muito mais cedo do que até então, em alguns casos até seis semanas antes, isto da perspectiva da duração de um ciclo. Desta forma, os produtores não vão ter que debater-se com encomendas de última hora por parte do retalho depois de terem feito uma previsão de outros artigos, e em última instância estão mais bem preparados para satisfazer as necessidades dos retalhistas. «Quando retalhistas e produtores trabalham em colaboração, quem vende já não está a ver os planos do comprador pela primeira vez quando estes se concretizam no mercado. Por consequência, pode-se decidir muito mais rapidamente. Quando se retiram as redundâncias e ineficiências do processo e se oferece visibilidade em tempo real a todas as partes envolvidas, a tomada de decisões acontece de uma forma muito mais fluida», declara Chazen. Sistemas iguais, mais eficiência Os resultados também são melhores quando os intervenientes utilizam o mesmo sistema e não uma série de folhas de cálculo partilhada por todas as partes. Quando a Ethel Austin implementou a Compass Solution da Torex, o retalhista tinha mais de 30.000 folhas de cálculo, tendo dificuldade em aceder e manipular a informação e que esta fosse actualizada. A empresa produzia 70 por cento dos seus produtos na Ásia precisando assim de fazer encomendas antecipadamente, já que lhe faltava flexibilidade de tomar decisões ou comprar no decorrer da época. A implementação desta solução permitiu-lhe maior visibilidade, consistência e flexibilidade, libertando dinheiro preso nos stocks, reduziu a remarcação de preços e assegurou a disponibilidade do produto. «Uma das razões principais porque os retalhistas têm dificuldade em responder rapidamente às mudanças das exigências do consumidor é a combinação de sistemas pouco flexíveis com a falta de informação atempada. Transformar os dados em informação utilizável em tempo real é um dos maiores desafios enfrentados pela maior parte dos negócios hoje em dia. Resmas e resmas de dados podem ser consultados, mas apenas uma pequena parte destes é informação útil e rentável. Para os retalhistas, a capacidade de transformar conhecimento, tendências e dados transaccionais num plano eficiente de compra e merchandising é crucial», afirma Terry Osborne, responsável pelo marketing da Torex. Evolução tecnológica «A próxima evolução da tecnologia pode resultar numa aproximação ao que se verifica no sector alimentar, onde existem categorias vencedoras, ou seja, marcas que aumentam significativamente as margens mostrando que dominam o mercado», sustenta LeHong. «Os retalhistas têm uma tendência para confiar a esses produtores a decisão de mix de artigos para além das suas marcas próprias acabando assim por influenciar os produtos em toda a categoria». Apesar de LeHong não recomendar esta estratégia para o vestuário, particularmente devido à influência das tendências, ela pode ser aplicada no caso dos artigos básicos e/ou acessórios, tais como cintos e t-shirts brancas. Um dos maiores desafios é ensinar os comerciantes a lidar com a ideia de partilhar as suas intenções de mix de artigos logo no início da época. Para os que estão dispostos a correr o risco, as hipóteses de recompensa são elevadas. «Esta é simplesmente um desafio de mudança de gestão. Um dos problemas com o CPFR (cooperative planning, forecasting and replenishment planeamento, previsão e reposição colaborativos) era que produtores e retalhistas não se sentiam confortáveis em partilhar as suas previsões, não tinham qualquer pista da quantidade que iriam precisar de um determinado artigo, e não estavam à vontade para transmitir essa dúvida. «A tecnologia não é uma barreira, é apenas uma mudança de atitude. Sem colaboração, as necessidades dos vendedores passam a ser uma surpresa. Se um produtor fosse capaz de produzir um determinado artigo de um momento para o outro e se um retalhista pudesse escolher tudo sem errar a indústria não precisaria desta tecnologia. Mas essa não é a realidade», explica LeHong. A tecnologia disponível permite a retalhistas e vendedores gerir mais eficazmente o inventário e reduzir os custos administrativos relacionados com o processo de planeamento da oferta, tendo com resultado final o aumento da rentabilidade.










