Numa altura em que a economia nacional se preocupa com a crise da ITV por causa da deslocalização das empresas para o competitivo mercado asiático, com menores custos de produção, a investigação desenvolvida nos laboratórios do Departamento Têxtil da Universidade da Beira Interior (UBI) abre novos horizontes nesta área de negócio. Em particular, aposta na produção de conhecimento dirigido à optimização de tecidos e aproveitamento de nichos de mercado, como a produção de materiais de base tecnológica com vista, por exemplo, a uma maior protecção e segurança de bombeiros e trabalhadores da indústria química.
É possível ter roupa que nunca ganhe borboto? Ou casacos que nunca percam o brilho na zona dos cotovelos, e assim durem mais? Como é que um tecido pode ter uma textura mais confortável e fazer face às variações climatéricas? Ou como podem os têxteis hospitalares descartáveis ser optimizados? Além da resposta a todas estas questões, no campo da utilização de produtos poluentes, por exemplo, estão em curso vários projectos com vista a utilizar produtos ecológicos em vários processos de produção têxtil, como a aplicação de enzimas em vez de petroquímicos para eliminar os resíduos vegetais da lã ou o uso da quantidade certa de crómio no processo de tinturaria dos tecidos, já que este composto é sempre utilizado em excesso para que a cor dos tecidos não parta ao fim de algumas lavagens. A UBI tem procurado investir em processos inovadores nas diferentes áreas do conhecimento. E até com materiais tradicionais. É o caso da engenharia civil e da arquitectura, onde se está a realizar um projecto de construção de pontes em pedra granítica que vai permitir desenvolver o know-how existente e tornar esta matéria-prima mais competitiva no mercado regional. Na física, os desafios não são menores. No Centro de Óptica da UBI, vocacionado para apoiar a investigação em diversos domínios, assim como os projectos do Departamento Têxtil e outros, os investigadores trabalham em projectos de tecnologia de ponta que, para além de pretenderem contribuir para a melhoria de vidas das pessoas, apresentam grande potencial industrial. Como é que o uso prolongado de lentes de contacto pode deixar de causar irritabilidade nos olhos? A resposta está para breve. No campo da aeronáutica, um dos mais inovadores projectos em curso pretende determinar a forma mais segura de descolar e aterrar helicópteros em condições de vento forte. O objectivo é obter uma equação que será introduzida no estabilizador de voo do aparelho, permitindo-o ignorar a intensidade do vento. Na universidade onde o índice de computador é o mais elevado da Europa (um computador, por 2,5 alunos em média), a área de informática trabalha em projectos que nos podem colocar em mundos ao nível do filme «Matrix». Em termos de softwares, estão a ser desenvolvidos programas, como o Sentient Web, que pretende dotar o computador de inteligência e memória. Este projecto visa nomeadamente facilitar a vida dos utilizadores, permitindo que as máquinas sejam capazes de tomar decisões sozinhas.Outro projecto inovador no âmbito da tecnologia computacional é a futura substituição do tradicional código de barras pelas etiquetas RFID. Utilizando a tecnologia da Via Verde, esta etiqueta flexível, que consiste num simples cartão com um circuito electrónico no seu interior, está já preparada para estender-se a outros níveis de aplicação para além da venda.









