Tecnologia ao serviço da arte

Para a próxima estação fria, as casas de moda desvendaram colecções com materiais e técnicas que não só demonstram as capacidades tecnológicas das fábricas, mas também a criatividade dos designers. Na Calvin Klein, Francisco Costa desenvolveu um veludo ligado com um acabamento em borracha, mas suavizou o material técnico aplicando golpes com laser. Queria ver a superfície a evoluir», explicou Costa. E essa evolução, seguindo da inovação total para um vestuário mais expressivo, foi a chave aplicada por muitos designers na Semana de Moda de Nova Iorque. Na Christian Cota, uma blusa com estampados individuais e bordada com pedras parecia quase pontilhismo (a pintura de uma imagem recorrendo a pequenos pontos de cor). Para a Y-3, Yohji Yamamoto chamou o artista de rua Momo, de Brooklyn, para acrescentar um toque irreverente a algumas peças com o seu trabalho estilo graffiti. São os temas de rua de Nova Iorque que me inspiram», revelou Yamamoto. A arte de Momo foi um acompanhamento perfeito para a minha visão». Na Semana de Moda de Milão, as coisas foram maravilhosamente “low-tech”. Os brocados em veludo de Miuccia Prada foram produzidos em teares do século XIX com uma capacidade de apenas 25 metros de tecido por dia. Na Dolce&Gabbana, a tónica surrealista dos designers foi enfatizada com efeitos “matelassé”, pregas e aplicações à mão de renda e discos semelhantes a pedras lunares. Pelo contrário, Marios Schwab apresentou, na Semana de Moda de Londres, estampados 3D anaglíficos nas tonalidades azul ciano e vermelho em alguns dos seus vestidos. Embora revestidos por uma camada de pedras transparentes, os padrões ganharam dimensão quando foram vistos pelo público através de óculos 3D. Os designers que desfilaram pela passerelle parisiense tiveram uma abordagem mais comedida. Nicolas Ghesquiere suavizou o seu toque futurista para a Balenciaga, usando seda superluxuosa e bordados com detalhes em pérolas. Por seu lado, John Galliano usou tecidos para construir silhuetas folclóricas de sonho. Quanto a Dries Van Noten, foi buscar inspiração à natureza. Fotocopiou flores, répteis e leopardos, depois dobrou as imagens e copiou-as novamente antes de aplicar os estampados Xerox-chic em tecidos de seda. Ao tornar uma peça da vida moderna de um escritório em arte têxtil provou que não há melhor altura do que o presente para se ser criativo.