Tecidos para aquecer o Inverno

Caxemira, tecidos bi-elásticos e bordado inglês em tecidos de lã são as grandes tendências dos tecidos para o Outono/Inverno 2008-2009, segundo as colecções apresentadas, em primeira-mão, no Première Vision Preview New York, que decorreu entre 18 e 19 de Julho em Nova Iorque.O conceituado salão parisiense exporta o seu conceito para o mercado americano há já sete anos «pois o sector da moda americano gosta de ter um pouco de avanço para a preparação das suas colecções», explica Philippe Pasquet, presidente da Première Vision. «Mas viram apenas uma parte da colecção que apresentaremos, em Paris, de 18 a 21 de Setembro». Uma pequena parte, já que a versão americana contou apenas com 131 expositores, entre os quais se encontravam os portugueses Gierlings Velpor, especialista em veludos, e Tebe, especialista em malhas. Em Setembro, estima-se que estejam presentes na cidade-Luz cerca de 750 expositores. Segundo Philippe Pasquet, a valorização do euro não prejudicou o negócio dos produtores europeus no mercado americano. «A oferta de tecidos da nossa feira demarca-se da gama de tecidos oferecida pelos países que produzem a baixos custos», refere o presidente da PV. Aplicada à moda, a mundialização permite ao comprador deixar-se seduzir por um tecido raro de trama complexa e reduzir os seus custos de produção encomendando metros de forro na China ou entregando a confecção a um país de baixos custos. Mesmo se o sonho não tem preço, as marcas de luxo mostram um especial cuidado com o orçamento. «O criador não está confinado à sua torre de marfim. Trabalhamos com outras equipas, entre as quais a de marketing, e prestamos a devida atenção ao factor preço», afirma Hervé Pierre, director de criação da marca de luxo Carolina Herrera.Por outro lado, Pascaline Wilhelm, responsável da selecção da "Première Vision", sublinha que «os compradores de tecidos interessam-se cada vez mais pelas questões ambientais, as condições de trabalho, a cultura do algodão e os tratamentos têxteis. Não só porque são questões actualmente incontornáveis mas também porque são bons argumentos de marketing». Os compradores das cadeias Ann Taylor, J.Crew ou Liz Claiborne cruzaram-se com grandes nomes da moda como Ralph Lauren, Zac Posen ou Catherine Malandrino. Cada um procurava o tecido ideal para uma grande produção ou aquele que inspirará uma peça-chave, adulada pelas redactoras de moda que saberão despertar o irreprimível desejo de compra em milhares de leitoras.«É difícil dar uma ordem de grandeza das encomendas realizadas no salão, pois estas vão desde insígnias com orçamentos de 200 milhões de dólares até marcas de pronto-a-vestir que produzem pequenas quantidades de elevado valor acrescentado», sustenta Philippe Pasquet.Os criadores são, todavia, discretos, sobre as suas "descobertas" no salão e a sua visão das tendências que marcaram a estação fria 2008-2009. «Em termos de tecidos, pressinto algo brutal para essa estação», acaba por revelar Hervé Pierre, evocando os materiais nobres trabalhados para obter um aspecto final «inesperado».O seu "achado" na Première Vision Preview New York? «Uma caxemira de dupla face, marcada por desenhos praticamente geométricos, que os mágicos da têxtil submeteram aos "piores" tratamentos, pois o pêlo desapareceu», concluiu.