Techtextil e Texprocess vão mostrar um futuro digital

A cerca de três meses da abertura das portas, a Messe Frankfurt deu um primeiro vislumbre do que se pode esperar da Techtextil e da Texprocess, apontando a digitalização como um dos temas centrais.

Elgar Straub, Olaf Schmidt e Thomas Gries [©Messe Frankfurt]

Numa conferência de apresentação da feira de têxteis técnicos e não-tecidos Techtextil e da feira de tecnologia para o processamento de materiais flexíveis Texprocess – agendadas para 23 a 26 de abril –, a Messe Frankfurt divulgou um estudo, realizado pelo German Economic Institute em 2022, que mostra que apenas 31% das empresas na Alemanha são capazes de utilizar os dados de forma eficiente.

No entanto, a proximidade de aplicação das novas leis europeias, enquadradas na Estratégia da UE para os Têxteis Sustentáveis e Circulares, faz com que seja imperativo que as empresas melhorem as suas valências digitais, até para serem capazes de responder, por exemplo, às exigências do passaporte digital do produto e aos requisitos de sustentabilidade dos clientes.

Tendo este contexto por base, a Techtextil e a Texprocess querem ser uma plataforma de conhecimento e produtos para ajudar as empresas nesta jornada, prevendo a apresentação dos mais recentes desenvolvimentos de cerca de 1.600 expositores de 50 países.

«Estes sectores têm um enorme potencial de inovação, sobretudo no domínio da digitalização. Só podemos concretizar isso através de uma troca de informação internacional. A indústria mundial reúne-se na Techtextil e na Texprocess. O diálogo, a transferência de conhecimento, as inovações únicas e as soluções multifacetadas fortalecem as empresas na sua jornada para o futuro», afirmou Olaf Schmidt, vice-presidente de têxteis e tecnologias têxteis da Messe Frankfurt, durante a sessão de apresentação que decorreu ontem de manhã na Heimtextil.

«Os requisitos legais e de consumo em constante mudança, bem como a escassez de mão de obra e as condições comerciais mais difíceis devido a mudanças geopolíticas, colocam constantemente novos desafios aos produtores de vestuário e de têxteis técnicos», sublinhou Elgar Straub, diretor-geral da associação VDMA Textile Care, Fabric & Leather Technologies, que fez parte de um painel onde participaram também Olaf Schmidt e Thomas Gries , diretor do Institut für Textiltechnik (ITA) da RWTH Aachen University.

«Os construtores de máquinas, sistemas e processos para o processamento de materiais têxteis oferecem as soluções necessárias. Através da digitalização e da automação para uma maior flexibilidade, sustentabilidade, qualidade e maior potencial do produto, ajudamos os nossos clientes na sua produção e, ao mesmo tempo, garantimos um impulso da inovação», acrescentou Elgar Straub.

Embora muitas empresas tenham já digitalizado fases individuais da sua produção, é essencial que toda a cadeia têxtil seja digitalizada e todas as lacunas colmatadas para que a indústria possa concretizar plenamente o seu potencial, apontou Thomas Gries. «Cadeias de valor resilientes e sustentáveis ​​são vitais para a viabilidade da indústria têxtil no futuro. E a base para isso é a digitalização de todas as etapas do processo. Para tal, os investigadores e a indústria devem trabalhar em estreita colaboração. Novas formas de cooperação, como a inovação aberta, garantem rapidez e eficiência», destacou.

As feiras Techtextil e Texprocess deverão acolher os mais recentes desenvolvimentos nas áreas das tecnologias de produção, fibras, fios, não-tecidos, têxteis funcionais e inteligentes, que servem diferentes sectores, da moda à construção, passando pela saúde, a mobilidade e a agricultura.

Além dos desenvolvimentos dos expositores, os dois certames contarão com várias conferências e seminários sobre digitalização, mas também outros temas, como materiais funcionais, sustentabilidade e têxteis inteligentes.

Serão ainda entregues os prémios de inovação – na última edição, que se realizou em 2022, um projeto de utilização de resíduos de couro animal da indústria automóvel para produzir revestimentos têxteis, desenvolvido pelo CITEVE em parceria com a ERT, o CeNTI e o CTIC, foi um dos nove vencedores.