Michael Jänecke, director da Techtextil, a maior feira de têxteis técnicos do mundo, esteve em Portugal, nos passados dia 11 e 12, a convite do Citeve, para conhecer a realidade deste incipiente sector em Portugal. Esta iniciativa enquadrou-se no projecto do centro tecnológico de internacionalização do Fórum Têxteis do Futuro, com o objectivo imediato de uma participação portuguesa, que incluirá o próprio Citeve e várias empresas nacionais que operam no sector dos têxteis técnicos, já na próxima edição da feira de Frankfurt, que terá lugar em Junho de 2005. O desafio está lançado, e serviu de mote de conversa do Jornal Têxtil com o director da Techtextil, fiel seguidor da doutrina dos 3 C: confiança, competência e continuidade.
Jornal Têxtil (JT) – O que o motivou a aceitar este convite para participar no Fórum Têxteis do Futuro?Michael Jänecke (MJ) – Portugal tem uma indústria têxtil forte e bem organizada. Em qualquer país, a indústria têxtil está sempre à procura de novos mercados, nacionais e internacionais. Isto pode ser feito através da intensificação do marketing ou diversificando a gama de produtos, com têxteis funcionais/inteligentes para o vestuário corrente, desportivo, profissional, etc., ou tentar penetrar nos florescentes mercados dos têxteis técnicos. Durante as últimas edições do Modtissimo, o Citeve apresentou algumas dessas tendências – apoiado pela Avantex – no seu Fórum Têxteis do Futuro.A Messe Frankfurt é uma entidade organizadora de feiras, em parceira com a indústria têxtil, de todo o tipo de têxteis e por todo o mundo. Deste modo, disponibilizamos as nossas actividades/plataformas/apoio à indústria têxtil portuguesa. Em relação aos mais inovadores têxteis técnicos, em Junho de 2005 organizaremos a Techtextil/Avantex em Frankfurt. Neste âmbito, o Citeve está a planear a organização de um pavilhão português, pelo que era importante divulgar a Techtextil/Avantex junto das empresas portuguesas do sector e em como estas podem beneficiar deste importante certame. JT – Que impressão lhe causou esta iniciativa do Citeve?MJ –Trata-se realmente de uma excelente iniciativa, que foi muito bem conduzida no terreno. O nível dos expositores que integraram o Fórum era muito bom. Em particular, já conhecia bem a Endutex, uma presença habitual na Techtextil, mas havia outras empresas interessantes como a Tearfil, na área dos fios técnicos, a Euroespuma, no domínio das espumas e não-tecidos e a LMA, especialista em tecidos técnicos. Todas elas apresentam produtos competitivos com fortes possibilidades de serem bem sucedidos na Techtextil. JT – Que conselhos daria às empresas portuguesas que gostariam de participar na próxima Techtextil/Avantex?MJ –Àquelas que não estão plenamente convencidas, sugiro-lhes que primeiramente visitem a feira, observem os produtos expostos e analisem a competitividade dos seus produtos em relação a estes. Quanto àquelas que pretendem participar na próxima edição devem-se preparem muito bem e desde já, de forma a optimizar a sua participação. É imperativo que as empresas decidam o mais rapidamente possível, para que possamos efectuar um bom trabalho de promoção antes de o evento ter lugar, como por exemplo a divulgação de comunicados de imprensa a nível internacional.O importante é dar o primeiro passo na Europa, pois a Techtextil Franhfurt é aquela que apresenta o nível mais elevado e que junta o maior número de pessoas dos diferentes pontos do globo. JT – E que conselhos daria às empresas que pretendem dirigir as suas actividades para este sector?MJ – Em primeiro lugar, é preciso ter um bom produto, competitivo, pelo que é indispensável investir em tecnologia, apostar na I&D e identificar os mercados idóneos.As parcerias são também bastante importantes neste sector, pois estamos a falar de produtos muito específicos. É necessário unir diferentesknow-hows: fiação, tecelagem, ultimação e até de outras áreas como a electrónica, a informática, a medicina, etc. A interdisciplinaridade é essencial neste sector, já que o alvo visado está bastante distante dos campos convencionais.A forma de abordar os mercados precisa também de ser repensada. Deve-se estar muito bem informado, procurar nichos de mercado e desenvolver toda uma rede de diferentes contactos.E é impensável nos dias de hoje uma empresa não ter o seu site na Internet, onde seja possível aceder a todas as informações sobre as potencialidades dos seus produtos. A Internet é actualmente uma ferramenta de trabalho fundamental. É preciso lembrar que as aplicações de muitos destes produtos vão além da ITV. Há outros sectores que poderão ser importantes clientes: os transportes, a construção civil, a medicina, a agricultura, etc. E neste âmbito é também muito importante o trabalho dos órgãos de informação. JT – É possível adiantar já algumas novidades para a próxima Techtextil? E como será feita a integração da Avantex?MJ – O conceito final ainda não está acabado. Estamos a trabalhar nele, é será oficialmente revelado em Maio de 2005. No entanto, é já certo que a Techtextil avançará com o seu conceito orientado para os utilizadores, já com provas dadas, onde se destacarão três áreas de aplicação: Buildtech, Mobiltech e Medtech. Terá também lugar o simpósio Techtextil e os dois concursos Techtextil Innovation Prize” e “Textile Structures for New Building”, este último destinado a estudantes. Cada um destes eventos tem bastante interesse para as empresas, institutos e universidades.A Avantex será realizada em paralelo, e englobará o simpósio Avantex e umshow especial onde serão apresentados novos materiais, produtos e protótipos relacionados com têxteis inovadores para moda e vestuário desportivo, profissional e hospitalar.Basicamente, o desafio é ter a Techtextil e a Avantex juntas, aproveitando as sinergias de ambas, mas onde cada uma conserve a sua própria identidade. JT – Para si, a China representa uma ameaça ou uma oportunidade para a Europa?MJ –Não podemos, ou pelo menos não devemos, fugir do progresso. A China é hoje um mercado importante, ao qual ninguém pode ficar indiferente. No domínio dos têxteis técnicos, a sua indústria não é capaz de satisfazer as suas necessidades actuais, a quantidade não é suficiente e a qualidade está longe de ser excelente. Deste modo, para as empresas estrangeiras que operam nesta área é uma grande oportunidade.De todas as feiras da Techtextil – Frankfurt, Rossija, North America, South America e China – a Cinte Techtextil China é aquela que mais cresceu. A próxima será em Setembro e vários países europeus já confirmaram a sua presença com um pavilhão oficial: Alemanha, Bélgica, França, Espanha, Itália, Reino Unido, Áustria e Suíça. Isto mostra o potencial do mercado, pois de outra forma estes países não estariam tão interessados. JT – E a apetência dos chineses para a cópia não é um factor de desmotivação ou, pelo menos, susceptível de gerar alguma hesitação por parte das empresas europeias?MJ –A cópia nos têxteis técnicos resulta mais difícil porque estes combinam váriosknow-hows. Conheço casos de empresas que com a mesma tecnologia e matérias-primas não foram capazes de obter o mesmo produto final. Além disso, trata-se um sector que está em constante evolução, onde as pessoas estão permanentemente atentas e procuram continuamente acrescentar mais-valias. JT – Interveio, na qualidade de orador, no simpósio How to enter technical textiles markets, que teve lugar em Praga nos passados dias 26 e 27 de Fevereiro. Como decorreu esta segunda edição?MJ – Fui convidado para falar sobre as oportunidades e mercados neste sector na qualidade de director da Techtextil. É muito importante discutir as diversas alterações que estão a suceder nos diferentes mercados, de forma a informar as pessoas de como podem retirar os devidos benefícios de todas as actuais mudanças.Trata-se de uma iniciativa muito positiva, que permite juntar diferentes actores do sector dos têxteis técnicos e trocar experiências, que podem ser bastante profícuas para aqueles que pretendem iniciar-se neste sector.No seguimento desta iniciativa, a própria República Checa pretende organizar uma participação oficial conjunta, financiada pelo seu governo, para a próxima Techtextil/Avantex, pois o sector dos têxteis técnicos está a ter uma importância crescente no país. O mesmo se passa com a Coreia, onde o governo está a implantar um programa de apoio ao desenvolvimento dos têxteis técnicos no país com a duração de 10 anos, que terá um pavilhão com as suas cores na próxima feira.










